SP dá pacote de vantagens para Otis desistir do Paraná
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segunda-feira, 27 de março de 2000
Por Rita Tavares 
São Paulo, 28 (AE) - O governo de São Paulo está negociando um pacote de vantagens para evitar que a Elevadores Otis transfira sua fábrica de São Bernardo do Campo para o Paraná. Além de obras de infra-estrutura, com um trevo na Rodovia dos Imigrantes, que vai facilitar a logística de transporte da empresa, o governo negocia a liberação de um crédito tributário de mais de R$ 10 milhões que a Otis e a Secretaria da Fazenda disputam na Justiça estadual. Nesta quinta-feira, diretores da empresa, secretários de Estado e da prefeitura de São Bernardo do Campo têm mais uma reunião para tentar fechar um acordo. No ano passado, representantes da empresa estiveram na cidade de Palmeira (PR), checando as vantagens oferecidas para a transferência. A assessoria de imprensa da Otis informou que a diretoria não fala sobre o assunto, porque "está esperando uma posição do governo de São Paulo", que ficou de oferecer "alguma contrapartida" à empresa. Ao ameaçar deixar São Paulo, a Otis alegou que suas concorrentes trabalham em condições mais favoráveis. A maior fabricante brasileira de elevadores e escadas rolantes, a Atlas, comprada pela Schindler em 99, mudou-se de São Paulo para Londrina, onde recebeu benefícios fiscais. Recolhe 12% de ICMS contra os 18% cobrados em São Paulo. A Villares, que disputa o mesmo mercado, está instalada também no Paraná, onde ganhou incentivos. O secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento de São Paulo, José Aníbal, admitiu que a negociação está em curso, mas informou: "Já dissemos que o governo não vai dar incentivos fiscais". A "contrapartida", solicitada pela Otis, seriam obras de infra-estrutura e algumas "condições adjacentes", na definição de Aníbal. O secretário de Desenvolvimento Econômico de São Bernardo do Campo, Fernando Longo, informou que a prefeitura está revisando "tecnicamente" o cálculo do IPTU da empresa, que chegaria a US$ 200 mil ao ano, à medida que uma área grande do terreno não é construída. Há também estudos em curso, segundo o secretário, sobre brechas legais para a prorrogação do recolhimento do ISS. Segundo Fernando Longo, o trevo no km 20 da Imigrantes, inaugurado no fim de 1999, permitiu que a empresa economizasse 24 quilômetros no deslocamento de seus caminhões. "Facilitou muito", disse. A Prefeitura e o Estado atenderam outros pedidos da Otis, como o aumento da capacidade de energia elétrica disponível. Instalada desde 1990 na cidade, a empresa pedia acesso ao sistema de água municipal já que usava um poço artesiano próprio. Ameaçado pela guerra fiscal de perder empresas para outros Estados, mas determinado a não conceder benefícios fiscais às empresas, São Paulo está fazendo esse esforço conjunto com São Bernardo do Campo, para evitar que a Otis deixe o Estado. Trata-se da segunda maior empresa do setor de elevadores no mercado nacional, que emprega 463 funcionários em sua fábrica. Na ofensiva pela manutenção da Otis em São Bernardo do Campo, até o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC entrou na negociação. Segundo o diretor Dircon da Silveira Bastos, há uma reestruturação de salários em discussão. Hoje, o salário médio da Otis é de R$ 2.900. Para preservar os empregos, a empresa quer uma redução de até 50%. Os trabalhadores têm estabilidade até o dia 31.


