SP corta negociação de MG e PR por empresa paulista
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2000
Por Luiz Carlos Lopes (especial para a AE) 
Marília, SP, 24 (AE) - Com a celebração, hoje, de um convênio, no valor de R$ 1,1 milhão, para a realização de serviços de terraplanagem, construção de via de acesso e iluminação em Pompéia, distrito industrial na região da Alta Paulista (SP), o governo de São Paulo conseguiu interromper o processo de negociações deflagrado por Minas Gerais e Paraná, que, por meio de incentivos fiscais e doação de terrenos, pretendiam a transferência, para aqueles Estados, do Grupo Jacto
que reúne a Unipac e a Jacto Maquinas Agrícolas.
Juntas, elas formam um dos principais grupos do gênero no Pais, que há 52 anos funciona na cidade e, atualmente, tem faturamento anual de R$ 200 milhões.
A ação paulista para a permanência da empresa em São Paulo foi confirmada pelo secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, José Aníbal, que esteve naquela cidade para a celebração do convênio. Ele considerou o resultado da atuação paulista "um marco ilustrativo de como São Paulo pretende reagir à guerra fiscal desencadeada por outros Estados".
A oferta de incentivos fiscais e terrenos para a instalação das fábricas pelos dois Estados foi confirmada pelo vice-presidente da Jacto, Shiro Nishimura, e pelo presidente da Unipac, Jiro Nishimura.
Eles disseram que estavam sendo procurados há cerca de dois anos por representantes de Minas Gerais e Paraná, que, no entanto, não formalizaram as ofertas. "O Paraná chegou a pedir que enviássemos projetos, mas não chegamos a o fazer porque sentimos a reação do governo do Estado e decidimos permanecer em Pompéia", disse Jiro Nishimura.
O prefeito de Pompéia, Jorge Tamura, informou que ficou muito preocupado com a possibilidade de a Jacto se transferir e confirmou que levou o caso ao governador Mário Covas (PSDB), que prometeu interferir. O grupo oferece cerca de 2.200 empregos e é considerado o principal responsável pelo desenvolvimento econômico do município, que tem 18 mil habitantes.
Além da ação estadual, a prefeitura pretende doar à Jacto a área de 10 alqueires onde o Estado vai realizar a terraplanagem, via de acesso e iluminação. No local, serão construídos 65 mil metros quadrados de barracões nos próximos três anos para abrigar a Unipac, unidade responsável pelo processamento de plásticos.
Com isso, a Jacto, que se dedica à fabricação de máquinas e implementos agrícolas, passará a ocupar os barracões que serão liberados pela Unipac.
Aníbal disse que a atuação paulista para a preservação do Grupo Jacto em Pompéia faz parte da política adotada por Covas de proporcionar ambiente favorável às empresas para as instalações em território paulista. Ele disse que a ação governamental poderá contribuir até para que as indústrias façam a transferência das instalações, desde que isso ocorra dentro do Estado.
Segundo o secretário, São Paulo pretende investir fortemente para oferecer condições "de desenvolvimento para as empresas instaladas no Estado ou que pretendam se instalar. "Mas sem guerra fiscal", assinalou. "Diante da guerra fiscal, respondemos com ações do Estado como esta, pois será desta forma que colocaremos São Paulo a par da globalização, com tecnologia e competitividade de seus produtos, sem guerra fiscal, pois este é um jogo que soma zero", afirmou Aníbal.


