São Paulo, 08 (AE) - Será preciso muito mais que água, sabão e solvente para limpar os estragos das pichações nos monumentos e áreas públicas de São Paulo. Hoje a Prefeitura deu início à "Operação Limpeza dos Patrimônios Históricos", para tirar o grosso da sujeira, mas para recuperar algumas das obras será necessário contratar empresas de restauração.
Esse é o caso do painel pintado no início do século, à mão, pelo artista José Wasth Rodrigues no Largo da Memória, no centro. Segundo o diretor do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH), Luís Soares Camargo, o trabalho vai consumir no mínimo três meses. "Há a possibilidade de precisar remover os azulejos do painel, um a um, para recuperá-los."
No domingo, o jornal "O Estado de S.Paulo" divulgou um levantamento do DPH revelando que, dos, 349 monumentos da capital, 210 (60%) estão tomados por rabiscos, siglas e desenhos com identificações de gangues de pichadores. "Nossa intenção é recuperar todo o patrimônio", disse Camargo. O DPH pretende avaliar os estragos em mais dois monumentos esta semana: o 14 Bis da Praça Campo Bagatelle, zona norte, e o busto de Carlos Gomes, centro.
O diretor não soube precisar o custo total do serviço nem seu prazo de duração. "Estamos aguardando a contratação da empresa de restauração que vencer a licitação, o que deve ocorrer em breve." Segundo ele, a manutenção de cada obra pichada, que pode consumir até cinco dias de trabalho, deverá exigir um investimento de R$ 400,00 a R$ 500,00 por dia.
Para este ano, a previsão de verba com a manutenção de obras pichadas é de R$ 2,3 milhões. No ano passado, o total orçado foi de R$ 983 mil, mas os gastos não ultrapassaram R$ 170 mil. O assessor da Secretaria das Administrações Regionais Oscar Antônio de Andrade informou que a "Operação Limpeza" contará com uma equipe de dez funcionários, dois encarregados e dois fiscais. Também será usado um caminhão-pipa com jato de água quente para ajudar na remoção da sujeira.
A previsão é de que a equipe gaste cinco dias com a limpeza de cada local. "Vamos limpar apenas as áreas permitidas para não correr o risco de danificar obras com os produtos usados", explicou. Andrade disse que a secretaria vai pedir apoio da GCM (Guarda Civil Metropolitana) para vigiar os locais, tão logo a operação seja concluída. A GCM informou que está se "estruturando" para atender ao pedido.
Técnico - O diretor-técnico da fabricante de tintas em spray Colorgin, Luiz Manoel Mota, de 48 anos, explica que os pichadores usam, além dos sprays, rodos de pintura de parede com tinta látex ou acrílica. Segundo ele, nos dois casos só o solvente é capaz de remover os estragos. Mota acrescenta que há cinco anos já existe no mercado o esmalte poliuretano, que protege as pinturas da ação dos pichadores. "Esse tipo de tinta tem uma composição resistente e pode receber removedores sem danificar a pintura original." O problema é que o esmalte custa quatro vezes mais do que a tinta comum, vendida por aproximadamente R$ 30,00 o galão de 3,6 litros.