S&P avalia impacto da abertura de resseguros no Brasil
São Paulo, 14 (AE-Dow Jones) - A abertura do mercado de resseguros do Brasil vai ter implicações profundas para as seguradoras do País, aumentando a pressão para as seguradoras adotarem padrões mais altos de subscrição e maior transparência financeira no mercado, afirma relatório da Standard & Poors divulgado em Nova York.
"Enquanto a solvência da resseguradora é um fator importante na escolha do provedor de resseguro, as seguradores brasileiras devem esperar um escrutínio mais próximo pelos resseguradores. Especificamente, provedores de resseguros conservadores, de boa qualidade, vão buscar subscritores primários prudentes e financeiramente sólidos", afirma o documento da S&P que avalia o desregulamentação iminente do mercado de resseguro.
"O Brasil anunciou recentemente a decisão de privatizar o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) no segundo semestre de 1999, depois de vários anos de atraso. O Brasil é um dos últimos países a eliminar o monopólio do resseguro. De fato, o projeto foi votado e aprovado em 1996. No entanto, a falta de legislação implementando a abertura do mercado e de outros termos da venda do IRB se tornou um obstáculo à abertura do mercado.
"Algumas grandes seguradoras brasileiras, assim como subsidiárias de seguradoras estrangeiras, já fecharam acordos preliminares de resseguros com resseguradoras estrangeiras. No entanto, seguradoras de pequeno e médio portes locais enfrentarão um desafio porque não são conhecidos pelo mercado estrangeiro", afirmou a S&P.
Levará algum tempo para as resseguradoras estrangeiras entenderem amplamente o mercado brasileiro, seus riscos e o perfil das seguradoras domésticas, disse a S&P. Por essa razão, a S&P espera que estes efeitos sejam mais aparentes no médio e longo prazos à medida que o mercado maturar. Um mercado de resseguro aberto representa uma significativa mudança cultural para as seguradoras brasileiras, que operaram num mercado protegido e fechado até o início dos anos 90, acrescenta o relatório.
"Com a desregulamentação, houve aumento significativo na concorrência, composta pela entrada de mais seguradoras estrangeiras no mercado, o que levou a uma grande queda nas taxas de seguro. Entre as linhas de propriedade/acidentes, houve guerra de preços que resultaram, algumas vezes, em precificação irracional. Consequentemente, a dinâmica operacional do setor mudou significativamente e o mercado experimentou um grande número de fusões e aquisições com as companhias tentando atingir mais eficiência operacional, economia de escala e estratégias operacionais mais maduras. Houve também uma crescente ênfase numa relação mais realista entre prêmios e riscos".
"A forma final da nova legislação de resseguros em elaboração pelas autoridades reguladoras brasileiras também será muito importante na determinação do futuro do mercado de seguro do Brasil, assim como para a sobrevivência de longo prazo dos seus players", afirmou a Standard & Poors.





