Souza Cruz pode assumir controle da venda de cigarros em Cuba
com o lucro chegando a US$ 588 mil, após o pagamento de impostos e outras despesas. Até setembro deste ano, o faturamento já havia chegado a US$ 8,8 milhões, e o lucro após impostos, a US$ 1,389 milhão. Até dezembro, a estimativa é que estes valores cheguem, respectivamente, a US$ 11,9 milhões e US$ 1,6 milhões. Com o aumento da produção, a Brascuba deve aumentar seu número de funcionários, de 200 para 300. - (O repórter viajou a convite da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro - FIRJAN).Por Gustavo Alves Havana, 30 (AE) - A Brascuba, empresa que a Souza Cruz mantém em Havana em parceria com o governo, pode assumir o domínio da venda de cigarros no mercado que mais cresce na ilha - aquele no qual as mercadorias são vendidas em dólares. O fato depende de um acordo para aumentar a produção da fábrica, chegando a 1 bilhão de cigarros, até o fim do ano. A Souza Cruz propôs investir US$ 12 milhões com o acordo - dos quais US$ 3,5 milhões seriam cedidos por financiamento em cinco anos para a reforma das outras fábricas do produto em poder da Unión de Empresas de Tabaco (Uneta), estatal de Cuba para o setor. A Uneta possui 50% da sociedade da Brascuba. O acordo é estudado pelo governo cubano, que em deve dar sua resposta até a próxima semana, disse o diretor-financeiro da Souza Cruz, Milton Carvalho da Costa, que integrou a missão de empresários da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) que viajou no início desta semana para a ilha. Com o aumento da produção, a Uneta vai deixar de distribuir nos 3 mil pontos de venda de produtos em dólares os cigarros que fabrica em suas sete fábricas próprias, que detêm 60% deste segmento. "Não se trata de monopólio, se outra empresa quiser entrar, também pode", ressalvou Carvalho. Ele explicou que, para o governo de Cuba, o importante é manter a exclusividade de fornecimento de charutos neste segmento, o que mais cresce na economia do país, segundo o próprio diretor da Souza Cruz. A negociação em dólares, pelo chamado mercado de divisas, foi permitida pelo governo cubano após a grave crise que a ilha sofreu com o fim da União Soviética, em 1991, que deixou os cubanos sem o seu principal mercado para venda de açúcar a preço mais caro e compra de petróleo a valores subsidiados. Dentro de Cuba, existem ainda outros dois sistemas de fornecimento aos consumidores cubanos: o mercado de pesos, que vale tanto quanto o dólar, ou "liberal", e o sistema de "libreta", pelo qual o governo distribui mercadorias racionadas à população. A Souza Cruz começou a operar a Brascuba em 1996, em uma fábrica que, antes da revolução de 1959, produzia o Lucky Strike na ilha. O vice-presidente da Brascuba, Dante Letti, explicou que as sanções econômicas dos antigos donos foram evitadas com a compra, pela Souza Cruz, do certificado de propriedade do ativo, que estava em poder da American Brand. No ano passado, o faturamento da Brascuba foi de US$ 8,9 milhões





