Sotero viveu mal-estar semelhante no fim de agosto
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domingo, 12 de setembro de 1999
Por ¶ngela Lacerda 
Recife, 13 (AE) - Não é a primeira vez que o superintendente da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene0, Aloísio Sotero, é pego de surpresa por declarações atribuídas ao ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra. A Assessoria de Imprensa da Sudene passou o dia, hoje, informando que Sotero não pediu demissão - nem verbalmente, nem por escrito - embora a saída da superintendência fosse dada como certa. No fim de agosto, Sotero viveu mal-estar semelhante. Bezerra anunciou - sem lhe comunicar - a decisão de reduzir o quadro da Sudene em pelo menos 50%, o que desagradou ao superintendente.
Na semana passada, Sotero questionou o corte. Quer, primeiro, a definição da agência de desenvolvimento em que a Sudene deve se transformar, para só então pensar numa adequação de pessoal. Ele desaprova o corte pelo corte, apenas como uma forma de satisfazer a opinião pública. "Não se pode fazer na Sudene a maquiagem do nada."
Sotero prega mudanças administrativas e orçamentárias que dêem ao órgão condições para promover o desenvolvimento do Nordeste. Entre elas, a modernização do atual sistema de incentivos fiscais (Finor), flexibilidade de gestão e um plano de valorização do servidor (salarial e aperfeiçoamento técnico).
O superintendente reconhece que o atual modelo da Sudene está esgotado. Mas o novo formato da autarquia ainda é uma incógnita. A Sudene criou um grupo de trabalho para estudar um modelo de agência de desenvolvimento federal, ainda inexistente no País, com base em experiências de outros países. Sotero imagina uma agência de atração e promoção dos investimentos públicos e privados na região, especialmente na infra-estrutura, fator de impacto na economia. Sotero afirma haver necessidade de reestruturação, visando a uma nova realidade econômica e política da região. Mas, na opinião dele, não se pode simplesmente extinguir o órgão.
Para ele, o Nordeste não é um sumidouro de incentivos fiscais (recebe apenas 11% da renúncia fiscal do País, em comparação aos 70% do Sul e Sudeste) e a região tem respondido positivamente aos investimentos feitos.
Sotero afirma que 60% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) da região advém de empresas atraídas pelo Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor). Ele frisa que, há muito tempo, não existe na Sudene o uso de recursos para beneficiamento político, a exemplo do Finor dos projetos agropecuários sem controle, que deram margem a corrupção. Hoje, grandes grupos empresariais, como Votorantim, Grendene, Gerdau, Gessy Lever e Carrefour, usam o Finor para se instalar na região.


