Uma pesquisa da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) revela que 88% das mulheres contaminadas pela AIDS fazem sexo sem usar preservativos e contraceptivos, como recomenda a OMS (Organização Mundial da Saúde). A pesquisa foi feita pelo médico e pós-graduando Jarbas Magalhães. Ele acompanhou, durante um ano, 140 soropositivas no Ambulatório de Tocoginecologia do Hospital de Clínicas da Unicamp.
A amostra é compatível com as usadas por institutos internacionais de pesquisas nessa área. A pesquisa mostra ainda que 30% das mulheres não evitam filhos nem a transmissão da AIDS, apesar de saberem dos riscos. Segundo Magalhães, depois de iniciar o tratamento, 80% das mulheres assimilam os métodos contraceptivos. Antes, só metade delas tinha conhecimento.
De acordo com a OMS, as mulheres infectadas precisam usar preservativo junto com pílula, injeção ou ligadura tubária. Mesmo tendo informações suficientes para evitar a transmissão e a gravidez, elas não usam os métodos recomendados.
Segundo Magalhães, esse comportamento reflete a submissão social de grande parte das mulheres. ‘‘Ainda são os homens que determinam quando e como fazer sexo’’, disse o autor da pesquisa. Para ele, a dependência financeira de muitas das mulheres é um dos fatores desse comportamento. O uso de camisinha e contraceptivos é fundamental, mesmo quando o casal tem o vírus. Segundo o médico, sem o uso de camisinha, a carga viral do casal aumenta a cada relação, reduzindo a eficiência do tratamento.

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