Soropositivas ignoram alerta e amamentam
Clarissa Thomé
Agência Estado
Do Rio
Mães soropositivas que amamentam seus filhos podem se tornar um dos maiores obstáculos para o principal projeto do Ministério da Saúde contra a transmissão do vírus HIV: a campanha para identificar e tratar no pré-natal mulheres que contraíram aids, evitando que passem a doença a filhos. Uma pesquisa feita com grávidas soropositivas atendidas na rede pública do município de Santos (SP) detectou que 23% das 48 crianças que nasceram em 1997 foram contaminadas. A maior parte das mães usou AZT na gravidez ou no parto, mas 20% delas amamentaram seus filhos.
As mães precisam cumprir o protocolo 076 do Centro de Controle de Doenças (CDC) de Atlanta: tratar durante a gravidez com AZT, tomar o medicamento injetável no parto, não amamentar e dar o xarope de AZT para o bebê, afirma a assistente de coordenação do Programa Municipal de Aids, Regina Lacerda, que apresentou o resultado da pesquisa ontem, no 3º Congresso Brasileiro de Prevenção em Doença Sexualmente Transmissível/Aids.
Regina ressalta que a pesquisa não identificou as causas que levaram à contaminação do bebê, mas o fato de as mães amamentarem os filhos é preocupante. Ela lembra que muitas vezes elas não podem deixar de amamentar o filho por falta de alternativa para alimentá-los. A pressão familiar é outro fator que leva a mulher soropositiva a amamentar.
A pesquisa nas unidades de saúde em Santos é feita há três anos. Em 1997, das 2.500 grávidas pesquisadas 46 eram soropositivas: 41% usaram AZT na gravidez, 38% receberam o medicamento no parto, 45% deram xarope para o bebê e 20% amamentaram.
No ano seguinte cerca de 3 mil mulheres passaram por testes e 64 tinham HIV: 66% foram tratadas com AZT na gravidez; 83%, durante o parto; 92% das mães medicaram os filhos e 12% amamentaram os bebês. Não há dados sobre o número de crianças que contraíram aids em 1998. A pesquisa deste ano estará pronta em fevereiro.





