Sorocaba reúne 2,5 mil no Grito dos Excluídos
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sábado, 04 de setembro de 1999
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 05 (AE) - Cerca de 2,5 mil pessoas participaram hoje (05) do 1ª Grito dos Excluídos de Sorocaba e Região, em protesto contra o aumento do desemprego e da pobreza na região. O evento vinha sendo realizado há cinco anos em Aparecida (SP), mas em razão do grande número de desempregados na cidade e das dificuldades para a locomoção até o santuário do Vale do Paraíba, os organizadores optaram por realizar uma manifestação autônoma, em Sorocaba. O ato reuniu fiéis de 22 paróquias da cidade e manifestantes arrebanhados por entidades como a Central Única de Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Universidade de Sorocaba (Uniso), associações de aposentados e sindicatos.
Os manifestantes concentraram-se em quatro pontos do centro - praças da Bandeira, Nove de Julho e da Mãe Preta e ponte da Rua XV - e saíram em caminhada até a Praça Coronel Fernando Prestes, a principal da cidade. Levavam cartazes e faixas com protesto contra o governo federal. "FMI, neoliberalismo, dívida externa, globalização, que futuro o País terá sem justiça social?", indagava uma faixa da Pastoral da Juventude da Arquidiocese local. Cerca de 400 sem-teto participaram do protesto. "Queremos justiça social, pois não há exclusão maior que a falta de um teto", dizia o líder Aparecido de Lima.
Um grupo de sem-terra empunhava bandeiras do MST e pedia
numa faixa, a punição para os "assassinos de Eldorado dos Carajás (PA)". Na praça, o padre José Ernani Angelini, vigário geral arquidiocesano, lamentava, no sermão, não poder referir-se à independência do País. "Vamos comemorar o dia da Pátria, mas não o dia da Independência". O vereador Antônio Arnaud Pereira (PT), que participou do ato, disse que a manifestação seria de alerta aos governantes para o descontentamento da população. "A crise e o desemprego estão deixando o povo desesperado", afirmou.


