Soro combate infecções hospitalares
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de dezembro de 2000
Agência Estado De Porto Alegre 
Um soro capaz de combater mais de 80% das infecções hospitalares conhecidas no Brasil poderá estar no mercado no primeiro semestre de 2001. Desenvolvido por uma equipe de 20 mestres, pesquisadores e estudantes do Departamento de Biologia e Biotecnologia Molecular, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o soro gênico é aplicado por via intradérmica e exige apenas uma dose. Todos os testes realizados com cobaias mostraram eficiência de 100%.
O soro combaterá, em especial, os microorganismos estafilococos dourado (Staphylococcus aureus) resistente à meticilina e o enterococos, tidos como os dois maiores agentes de infecções hospitalares no mundo. É produzido através de procedimento semelhante ao da obtenção dos soros antiofídico e antitetânico, ou seja, usando o cavalo como base.
O geneticista Diógenes Santiago dos Santos, coordenador da pesquisa, conta que se chegou à vacina, de base biotecnológica, pela técnica do DNA recombinante. Obteve-se um plasmídeo, vetor do DNA, que foi inoculado em camundongos. Os animais mostraram um nível altíssimo de produção de anticorpos, explicou o cientista.
Porém, como não havia total segurança sobre o método - O FDA (Food and Drug Administration, o órgão público que fiscaliza a fabricação de medicamentos nos Estados Unidos) ainda não liberou vacinas gênicas, observou - partiu-se de uma base sofisticada para agregá-la a uma tecnologia usada e aprovada há 107 anos, a da obtenção de imunizantes através do plasma de cavalos.
A mesma vacina que havia sido inoculada em camundongos foi aplicada em equinos com resultado excelentes. Retirou-se seu plasma que, filtrado e purificado, foi reaplicado de novo em camundongos com ótima resposta, segundo Santos. Com 40 cavalos produz-se soro suficiente para todo o Brasil, afirmou. A infecção recuou nos roedores inoculados e não atingiu aqueles que, preventivamente, haviam recebido a droga.
Acredita-se que o soro gênico será uma opção bem mais eficaz contra o estafilococos e o enterococos, pois cada vez mais os dois microorganismos revelam resistência às penicilinas. Cada dose do soro gênico custará entre R$ 10,00 e R$ 15,00.
Hoje, 15% dos pacientes internados no Brasil contraem algum tipo de infecção hospitalar. Agora só depende, segundo o cientista, de vontade política para o soro gênico entrar na fase de fabricação massiva.


