Ribeirão Preto (SP), 22 (AE) - A produção nacional de sorgo deverá crescer em média 70% na safrinha deste ano, estima o grupo Pró-Sorgo, que reúne empresas que comercializam o produto no País. Segundo a estimativa feita hoje pelo grupo, deverão ser colhidos este ano um total de 1,7 milhão de toneladas, contra pouco menos de 1 milhão no ano passado.
A área de cultivo, no entanto, deverá se manter "praticamente" a mesma, segundo afirmou o coordenador do grupo Luís Fernando Jafelice, girando em torno de 700 mil hectares o que muda é o aumento obtido na produtividade que está atingindo a média de 2,4 toneladas por hectare.
O aumento na área produtiva deve ser de aproximadamente 15%. Em 98, o crescimento na produção de sorgo já havia sido registrado em escala menor: 53% em relação a safrinha anterior. Foram colhidas no País 353 mil sacas de 20 quilos de sorgo, contra 230 mil sacas em 97.
Segundo o agrônomo Cláudio Zago, do Grupo Colorado, localizado na região da Alta Mogiana (segunda maior produtora de sorgo do País, atrás somente de Minas Gerais), o sorgo vem substituindo o milho no decorrer dos anos na composição da ração. Hoje, um quilo de sorgo corresponde a 0,7 quilo de milho na ração.
"A tendência é deste volume aumentar na mesma medida que o produtor se convencer de sua eficiência", acredita Zago. Ele diz que ainda existe resistência por parte dos comerciantes adquirirem a semente do produto porque, apesar de ela custar 70% do valor do milho, possui menos valor comercial.
A substituição, lembra ele, no entanto, já vem ocorrendo. No ano passado, dos 4 milhões de toneladas de milho que deveriam ter sido importadas, apenas 2 milhões foram de fato. "O ideal será o dia em que o País produzir milho apenas para a exportação e cortar de vez a importação dessa semente", comentou Zago.

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