Sonorexia desregula o metabolismo
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segunda-feira, 13 de novembro de 2006
Flora Guedes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - É difícil encontrar alguém que nunca tenha dormido horas a menos do que o de costume devido a compromissos de trabalho e estudos, ou ainda em detrimento de uma balada que só terminou com o raiar do sol. Problema maior é para as pessoas que já tornaram rotina descontar do sono as horas extras que precisam gastar em qualquer outra atividade. A prática tem nome e se chama ''sonorexia'' (não é oficial), que é o exagero da privação do sono. Entende-se como exagero, dormir menos de sete horas, por noite, de segunda a sexta-feira.
O alerta é feito pelo neurologista Flávio Aloe, especialista em medicina do sono do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP). ''A moral da história é que privação do sono implica em risco para aumento de peso e desregulação metabólica. Estudos populacionais mostram que quanto menor o tempo de sono maior é a chance de engordar, já que o organismo tenta se requilibrar com maior ingestão calórica e melhor aproveitamento da refeição'', explica ele.
Os reflexos fisiológicos daquelas horinhas a menos no sono são o aumento do apetite e a indisposição física, mecanismos compensatórios para suplantar a perda ou o desgaste do organismo. ''Cerca de 60% da população economicamente ativa, com menos de 50 anos, apresenta o problema. A resposta é automática e também a médio prazo, já que o corpo se reprograma para a nova situação. Mesmo que a pessoa volte ao hábito normal, por um bom tempo ela vai ficar com tendência a engordar'', informa Aloe.
Embora não existam evidências científicas de que voltar ao sono normal irá corrigir de imediato o organismo no ser humano, em animais ficou comprovado que pode haver ou não essa ''desprogramação'' do organismo. ''Isso explica porque algumas populações continuam a engordar. O fato é que cada minuto de sono perdido jamais será resposto, pelo menos no que for referente a desgaste das células'', esclarece o neurologista.
®MDBO¯®MDNM¯''Não basta voltar a dormir corretamente que tudo volta ao normal. A indisposição física causa um círculo vicioso. É preciso aguardar a resposta do organismo'', reforça o médico, dizendo que dormir pouco é um modelo de estresse orgânico. ''É como se a pessoa estivesse levemente alcoolizada. Os reflexos cognitivos de decisão, raciocínio, memória e avaliação de risco são alterados. Sem falar no mau humor, na diminuição da imunidade, aceleramento do envelhecimento e sonolência diurna'', elenca ele.
Para Aloe, desde da invenção da eletricidade, a sociedade tem negligenciado o papel do sono para valorizar atividades que pedem dedicação extrema do ser humano, como farmácias, bancos e supermercados 24 horas. ''Isso é uma pandemia e a sociedade nem se dá conta disso. É preciso se conscientizar que a privação do sono é prejudicial a saúde. Prezar pelo sono adequado é um dos fatores que contribui para não engordar e emagrecer populações acima do peso'', disse.
O sono ideal para um adulto jovem deve durar, no mínimo, sete horas e meia a oito horas. ''A pessoa deve insistir nisso até que volte ao normal. É preciso reavaliar os maus hábitos e praticar apenas os saudáveis, como dormir o tempo recomendado, sete dias por semana'', resume.
O sono tem baixo valor agregado. Basta um cafezinho ou coca-cola que as pessoas estão motivadas a trabalhar mais e sacrificar o sono, mascarando o efeito desta privação. Flávio Aloe, especialista em medicina do sono do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP)


