Sono pode ser fonte da juventude
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de agosto de 2000
Agência Folha De São Paulo 
A fonte da juventude pode estar no sono. Um estudo da Universidade de Chicago confirmou que a quantidade de sono profundo influi na produção de um hormônio que afeta o envelhecimento. O estudo será publicado amanhã na revista científica Journal of the American Medical Association.
Os resultados da pesquisa mostram que a redução da quantidade de sono profundo, uma das fases do sono, tem como efeito a diminuição da secreção do GH (hormônio de crescimento).
Os resultados só valem para homens. Segundo Van Cauter, a endocrinologista que coordenou a pesquisa, é difícil obter dados similares para mulheres, pela influência de fatores como ciclo menstrual e menopausa.
A deficiência do GH é observada em idosos e está associada ao acúmulo de gordura, à osteoporose, à perda de massa muscular e à redução do desempenho físico. A deficiência é tratada com reposição hormonal.
É uma terapia incômoda e cara, disse Van Cauter à reportagem. Pode causar hipertensão, diabetes e dor nas articulações. O trabalho de Van Cauter mostra que seria possível combater a queda hormonal com o tratamento da perturbação do sono.
É a diferença entre apertar um parafuso com alicate e com chave de fenda, comenta o neurologista especializado em sono Flávio Alóe, do Laboratório do Sono do Hospital das Clínicas.
Você tem o mesmo efeito com os dois. O alicate, que danifica o parafuso, é a reposição hormonal. A chave de fenda, que não danifica, é a melhora do sono, diz Alóe.
Entre os benefícios da reposição do GH estão melhora da performance física e do aspecto de unhas, cabelos e pele, segundo o endocrinologista Marcio Mancini, do Grupo de Obesidade e Doenças Metabólicas do HC.
Mas não se dão injeções diárias, que chegam a custar mais de US$ 1.000 por mês e têm efeitos colaterais como diabetes, por motivos estéticos, diz Mancini.
O GH tem se tornado conhecido recentemente por ser usado por praticantes de atividade física para aumentar a massa muscular e o desempenho. Os efeitos a longo prazo do uso do GH por pessoas saudáveis, segundo Alóe, ainda não foram estudados.
Para Van Cauter, seria preferível ter uma nova classe de remédios que melhorassem o sono profundo - e por consequência aumentassem o GH. O problema é que os medicamentos desse tipo estão ainda em fase experimental, segundo ela. Não há drogas no mercado para estimular o sono profundo.
Van Cauter afirmou que não se sabe por que as mudanças no sono ocorrem. Não há nada que indique a influência de fatores ambientais. A deterioração do sono profundo - que, segundo ela, pode ser determinada em parte geneticamente - seria uma ocorrência natural nos homens.
A diminuição da proporção de sono profundo em relação ao sono total muitas vezes não é percebida. No estudo, nenhum dos homens tinha queixas sobre a qualidade do sono. Van Cauter diz que algumas pessoas podem sentir mais cansaço.
Enquanto não há tratamentos específicos para aumentar a duração do sono profundo, ela recomenda procedimentos como horários regulares para dormir, fazer exercícios físicos e evitar cafeína e álcool. Tudo isso melhora o sono total, mas aumenta o sono profundo em pequena quantidade, observou Van Cauter.
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