Sonho de família vira cinzas
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terça-feira, 22 de junho de 2010
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Ainda atônita depois de passados 10 dias do incêndio que consumiu tudo que havia conseguido construir na vida, a doméstica Fátima Aparecida dos Reis, 36 anos, junta as filhas pequenas e revira as cinzas na esperança de encontrar algo que possa ser recuperado. Em vão. Alimentadas pelas tábuas e por tudo que havia na casa de madeira no alto do Morro do Carrapato (Zona Leste de Londrina), as chamas não pouparam nada. Sem condição de reconstruir o sonho consumido pelo fogo, a família vive na casa de parentes e pede ajuda para começar tudo de novo.
No casebre de madeira de quatro cômodos viviam duas famílias: Fátima e o marido, João Batista Ribas, 45, e as quatro crianças do casal; e o irmão dela, Antônio Amado, 49, a esposa e um filho pequeno. Todos hoje vivem literalmente amontoados na casa de um parente que concedeu um abrigo provisório. João e o filho mais velho, de 15 anos, dormem em um velho caminhão emprestado. ''É muito difícil porque a casa é pequena, eles têm a vida deles e, por mais que a gente tenta evitar, acaba incomodando'', confidenciou.
O ar de desconsolo é inevitável quando ela fala do incêndio, registrado na tarde de 10 de junho. A família acredita que o fogo tenha sido iniciado por alguém. ''Meu marido tinha ganhado um colchão e estava do lado de fora, encostado na parede de madeira. Não tinha ninguém em casa mas uma vizinha que viu a fumaça contou que as chamas pegaram primeiro no colchão'', disse. Tudo foi consumido: móveis, eletrodomésticos, roupas, material escolar das crianças, documentos pessoais e até os exames que o filho adolescente de 15 anos, cardíaco, estava fazendo para poder ser submetido à sua segunda cirurgia. Nem mesmo as três motosserras, o cortador de gramas e outras ferramentas que João usava para trabalhar puderam ser salvos.
A casa de madeira erguida no lote invadido no Morro do Carrapato era tudo que Fátima e o marido haviam conseguido erguer em quase duas décadas de trabalho duro. Depois do incêndio, ela tem dificuldades até para ir trabalhar todos os dias. Sem a ocupação de antes - que embora não fosse fixa, era garantia de trabalho e de renda -, o marido tenta a sorte como catador de reciclados. ''Está muito difícil e qualquer tipo de ajuda vai ser muito bem-vinda'', admitiu.
Serviço: Ajuda em materiais de construção (tábuas e telhas), roupas, sapatos, móveis, eletrodomésticos e alimentos podem ser feitas através de contato com João pelo telefone 8431-6528.


