Sondagem da FGV mostra melhora em prespectiva de investimento da indústria
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2000
Por Gustavo Alves 
Rio, 24 (AE) - As perspectivas de investimento da indústria de transformação melhoraram em relação aos dois últimos anos, segundo a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), cujos dados setoriais foram divulgados hoje. No entanto, esta previsão não vai significar aumento de contratações.
"Em 1998 e 1999, a confiança na economia era muito baixa e há vários fatores que fazem com que seja o momento mais propício para investir", afirmou o chefe do Centro de Estatísticas de Análises Econômicas da FGV-RJ, Salomão Quadros. Nos dois últimos anos, as empresas previam, em média, aumento de 2% da utilização da sua capacidade instalada. Na última sondagem
o número passou para 10%.
A empresa que mostrou maior disposição para investir foi a Embraer, que domina o segmento de aeronaves, peças e acessórios - onde o aumento da capacidade está previsto para atingir 59%. Outro crescimento importante, de 30%, deve ocorrer nas fábricas de componentes de telecomunicações. A causa é a grande necessidade destes equipamentos no mercado, após a privatização das telecomunicações.
Demissões - Mesmo com o otimismo, a sondagem mostrou que não deve haver aumento das contratações neste ano na indústria de transformação - que perdeu 48% de suas vagas nesta década, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Existem mais empresas que pretendem demitir no primeiro semestre do que vice-versa, o que é normal no primeiro semestre", afirmou Quadros.
Dos 31 segmentos em que a sondagem dividiu a indústria de transformação, 19 tinham mais empresas que planejavam demitir do que contratar neste semestre. Entre estes ramos estão o de produção de combustíveis e lubrificantes, preparação do leite e fabricação de derivados, calçados, caminhões, ônibus e semelhantes e máquinas de costura, refrigeração e de lavar.
Quadros destacou a intenção de a Embraer continuar a contratar, mesmo após ter empregado novos funcionários no semestre passado, e a previsão de novas vagas na produção de equipamentos para comunicações. Este segmento teve uma redução no uso de sua capacidade instalada, por causa do aumento da concorrência. Na comparação entre janeiro deste ano com o mesmo mês em 1999, o aproveitamento da capacidade passou de 84% para 79%. "Isso pode ser entendido como um ajuste à competição", afirmou o economista.
Preços - A sondagem da FGV também mostrou que houve um recuo na intenção das empresas em reajustar seus preços, apontada pela sondagem anterior, feita no último trimestre de 1999, em 19 dos 31 segmentos. Na indústria de automóveis, por exemplo, o índice de montadoras que pretendem dar aumentos passou de 100% para 70%, do último trimestre do ano passado para janeiro.


