Brasília, 04 (AE) - O presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Carlos Eduardo Moreira Ferreira, afirmou hoje que os números apresentados na Sondagem Industrial, pesquisa realizada pela Unidade de Política Econômica da entidade, não são "auspiciosos", mas indicam uma melhora da atividade do setor. Moreira Ferreira insiste que os empresários consultados mantém expectativas positivas para o segundo semestre. De acordo com os números apresentados, 53% dos grandes industriais entrevistados afirmaram que estão otimistas em relação à evolução da economia brasileira no segundo semestre deste ano. Dos pequenos e médios empresários ouvidos, 44% disseram acreditar na evolução da economia nos próximos seis meses. A pesquisa foi feita entre empresários de 957 pequenas e médias indústrias e 174 grandes empresas de 19 Estados.
As empresas exportadoras, no entanto, reduziram seu otimismo com a perspectiva de aumento de exportações neste segundo semestre. Para Guilherme Almeida dos Reis, coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, esta retração no otimismo do exportador está ligada ao fato das dificuldades de colocação dos produtos brasileiros no mercado internacional não terem sofrido nenhuma alteração. Moreira Ferreira ressalta que a Sondagem Industrial não deixou de registrar um sentimento "positivo" em relação ao aumento das exportações. "Elas vão na direção daquilo que pode acontecer no segundo semestre, que é a aprovação da reforma tributária", disse.
O presidente da CNI voltou a insistir que acredita que a reforma tributária será aprovada ainda neste semestre. Para Moreira Ferreira, a Comissão que vem tratando do assunto deve votar o projeto até o final deste mês e a Câmara dos Deputados, por sua vez, deve votar o projeto até setembro. Apesar dos industriais consultados pela pesquisa de Sondagem Industrial da entidade terem apontado a carga tributária como um dos principais problemas enfrentados no segundo trimestre deste ano, Moreira Ferreira ressaltou que mesmo com a aprovação da reforma, a carga tributária não será reduzida. "Vamos ter que conviver com esta carga de cerca de 30%", disse.
Para o executivo, qualquer proposta que seja apresentada e que tenha como objetivo a redução da atual carga tributária acabará sendo reprovada. "Os municípios, os Estados e a Receita (Federal) não concordariam", avaliou. Ainda assim, Moreira Ferreira lembra que a proposta que vem sendo discutida já permitirá às indústrias reduzirem os custos administrativos.

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