Sonae tem apoio do Estado português para crescer no Brasil
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terça-feira, 03 de agosto de 1999
Por Jair Rattner 
Lisboa, 4 (AE) - O rápido crescimento do grupo português Sonae na área de supermercados no Brasil, o terceiro maior do setor, tem apoio do Estado português. A holding estatal Investimentos e Participações Empresariais - IPE entra com mais US$ 40 milhões no investimento do grupo. "Neste momento temos 11% do capital da Sonae no Brasil, com opção para chegarmos a até 20%", conta José Torres Campos, o presidente da holding.
Segundo Campos, a entrada de mais capital por parte da IPE vai depender da velocidade do programa de expansão da rede de supermercados. A entrada do IPE no capital da Sonae brasileira cumpre com um dos objetivos da holding estatal, que é o de apoiar o investimento português no exterior.
Há um contrato que prevê que o IPE seja sócio minoritário num período de 4 a 5 anos, que pode ser alargado se for de comum acordo. "Nós, nesse tipo de investimentos em que apoiamos as empresas no estrangeiro, não as ajudamos mais do que é preciso. Se já estão em condições de funcionar sem o nosso apoio, vamos utilizar o dinheiro noutras coisas. É um financiamento, não um subsídio", explica Campos. Em consequência do investimento, o IPE nomeia um dos administradores da Sonae no Brasil.
Campos conta que a IPE também estaria disponível para participar do investimento no Brasil do grupo Jerônimo Martins - proprietário da rede de supermercados Sé. "Depende dos projetos. Eles chegaram a propor que participássemos no investimento na Polônia, mas depois desistiram".
Segundo Campos, a política do grupo - que tem um capital de US$ 2,4 bilhões - é de entrar como parceiro minoritário em investimentos tanto em Portugal como no exterior. No entanto, na área de abastecimento de águas, o IPE é majoritário num investimento no Brasil junto com o grupo Monteiro Aranha.
"Somos os líderes num projeto de abastecimento de água na região dos lagos, no Rio de Janeiro, o que representa um investimento entre 60 e 70 milhões de dólares", diz Campos.
A posição majoritária do IPE no abastecimento na região dos lagos vem do fato de o grupo dominar essa tecnologia. Em Portugal, aproveitando os subsídios da União Européia e a falta de interesse de empresas portuguesas, o IPE participa em 25 empresas de abastecimento de água e de tratamento de lixo de todo o país, em associação com câmaras municipais. ""Somos líderes na área do meio ambiente".
Outra área em que o IPE está entrando como empresa pioneira em Portugal é a de energia eólica. "Criamos a Generg , que é uma empresa muito nova e ágil. Em três anos, com apenas 15 empregados e um capital de US$ 10 milhões, já atingimos um faturamento de US$ 6 milhões. Nos próximos anos pretendemos investir US$ 130 milhões."
Brasil - Neste momento, o IPE está estudando a participação em dois novos projetos industriais portugueses no Brasil. "São duas empresas, do ramo eléctrico-mecânico. Um na região de São Paulo e outro em Minas Gerais. Os projetos são bons e estamos dispostos a apoiar", afirma Campos, que não revela o nome das empresas.
Segundo Campos, o apoio vai significar uma participação financeira em torno de 25% do capital das empresas no Brasil. "A maior delas, em São Paulo, terá um investimento de 100 milhões de dólares".
Apesar de ter como único acionista o Ministério das Finanças de Portugal, segundo Campos o IPE funciona com independência. "O Estado em assembléia define as áreas de atuação privilegiadas e as prioridades. Mas não indica projetos que devam de ser apoiados. O Estado exige todos os anos os dividendos."
Ele diz que não há risco de, por ser uma holding estatal
ocorrerem desvios de verbas. "Somos uma das sociedades mais controladas do país. Primeiro, porque temos todos os controles de qualquer empresa privada, em termos fiscais e de auditores. Além disso, todos os anos, os auditores da Inspeção Geral de Finanças (do Ministério das Finanças), analisam os papéis um a um."


