São Paulo, 12 (AE) - A multinacional belga Solvay estuda o destino de suas duas unidades industriais com capacidade instalada para a produção de 80 mil toneladas ao ano de carbureto de cálcio. É que a Companhia Brasileira de Carbureto de Cálcio (CBCC), cujas fábricas estão instaladas em Santos Dumont, Minas Gerais, é a única empresa da Solvay em todo o mundo fabricante da matéria-prima. Segundo a indústria, há dez anos a concentração de suas atividades na produção de outros insumos químicos tiraram o carbureto do core business da holding. Para a direção da Solvay, uma das soluções seria a venda da CBCC.
De acordo com a empresa, até hoje não foi feita qualquer proposta para a compra da CBCC. Mas, diz a direção da Solvay Indupa, no Brasil a indústria é a maior do ramo no País. Outra possibilidade considerada pela Solvay é agregar valor ao silício metálico, usando-o na produção de silicone, por sua vez utilizado dentro da própria indústria de cloro, soda e PVC.
Além do carbureto de cálcio, as fábricas podem produzir ferro silício (capacidade para 75 mil t/ano) ou silício metálico (30 mil t/ano). No ano passado, a produção do mix das três matérias-primas foi de 60 mil t. Desse total, 80% foi exportado para o Japão, Estados Unidos, Coréia do Sul e países da comunidade européia, que usam o ferro silício no processo de reciclagem de alumínio e na produção de aço.
Em 1998, o faturamento líquido foi de R$ 68,2 milhões, dos quais R$ 56,8 milhões obtidos com exportações. Em 1997, do resultado das vendas líquidas de R$ 67,8 milhões, R$ 54,7 milhões foram de exportações, e em 1996, do total de R$ 66,9 milhões, R$ 39,9 milhões resultaram das exportações.
A mistura do carvão e do cálcio sintetizados e acrescida de água forma o acetileno que, na década de 70, foi usado na produção de PVC. A matéria-prima foi útil em tempos de crise mundial do petróleo e até meados dos anos 90. Mas, hoje, a abundância do etileno (derivado do petróleo) e do cloro, para produção de MVC e EDC (matérias-primas do PVC) em grande escala, dispensam a existência da unidade de insumos alternativos.
No ano passado, 100% do consumo de carvão vegetal da CBCC foi sustentado pelos 31 mil hectares de florestas, com mais de 60 milhões de árvores plantadas pela própria indústria. O projeto de reflorestamento é o resultado de uma associação entre a CBCC e proprietários de terras da região, o que inclui o cultivo, em viveiros contratados pela empresa, de 2,5 milhões de mudas de eucalipto.