Solvay planeja investimento de US$ 25 milhões em nova fábrica.
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domingo, 23 de maio de 1999
Por Carin Homonnay Petti 
São Paulo, 24 (AE)- A Solvay pretende investir US$ 25 milhões na construção de uma fábrica em Curitiba para produção de clorato de sódio, substância usada no branqueamento de papel e celulose. Para sair da gaveta, o projeto depende de contrato de fornecimento de energia da Copel, explica o diretor-presidente da multinacional, Jean Pierre Lapage. "Como a eletricidade representa 40% de nossos custos, precisamos garantir o abastecimento a preços competitivos por pelo menos 10 anos", explica o executivo. Na sua opinião, o contrato, ainda em negociação, tem 80% de chances de ser fechado. "A decisão deve sair até agosto", acrescenta. Se resolvido o impasse, a fábrica ficará pronta no primeiro semestre de 2001.
Caso confirmado o empreendimento, a unidade será construída nos arredores da fábrica da Peróxidos, empresa da Solvay para produção de peróxido de hidrogênio, outro insumo para a indústria de papel e celulose. "Queremos aproveitar nossa equipe para vender os dois produtos", diz Lapage.
A meta do executivo é destinar parte da produção da nova fábrica, de 30 mil toneladas, à exportação para Argentina, áfrica e talvez também Europa. A decisão tem motivo: o mercado brasileiro de clorato de sódio, de 80 mil toneladas anuais, não tem demanda para toda a oferta que será criada pela Solvay. "No começo, mais da metade da produção será exportada", diz Lapage. Mas pondera: "com o tempo, as vendas para o mercado externo vão diminuir, já que a demanda interna deve aumentar". Para o raciocínio, ele aposta num crescimento anual de 5% a 6% para o setor de papel e celulose a partir do ano que vem.
Indústria automobilística - Também em Curitiba, a Solvay está construindo, numa joint venture com a francesa Plastic Omnium, uma fábrica para produção de conjuntos de tanques de combustíveis e mangueiras. O principal cliente será a Renault. Com inauguração prevista para o segundo semestre, o empreendimento exigiu investimentos de US$ 10 milhões, dividido meio a meio entre os dois sócios.
Para o ano que vem está prevista a construção de uma nova unidade em Taubaté para atender à GM. Também neste caso, o investimento será de US$ 10 milhões.
Faturamento - A desvalorização cambial está ajudando a engordar a receita da Solvay, multinacional belga produtora de resinas como PVC e poliestireno e também de insumos para a indústria química. Impulsionada pelo aumento das exportações, pela substituição de importações e também pela alta média de 20% nos preços das resinas, a empresa aposta num faturamento de R$ 600 milhões para este ano - 22% mais que os R$ 495 milhões registrados em 98. A previsão é do diretor-presidente, Jean Pierre Lapage.
Apesar de não acreditar em crescimento significativo do volume exportado, o executivo aposta em aumento do faturamento decorrente das vendas externas. E explica: "Mesmo não aumentando o volume exportado, já que os negócios internos têm preços melhores, esperamos receita maior para as exportações". Prova disso, exemplifica, está no crescimento previsto para o faturamento da CBCC, empresa do grupo Solvay produtora de ferro cilício e cilício metálico, com 80% das vendas dirigidas ao mercado externo. "A receita deve crescer de R$ 70 milhões em 98 para R$ 90 milhões este ano", estima o executivo.
As exportações também ajudaram a aumentar o faturamento da Peróxidos, empresa do grupo produtora de peróxido de hidrogênio, destinado ao branqueamento de papel e celulose. Com cerca de 15% das vendas destinadas ao Exterior, a Peróxidos planeja aumentar a receita de R$ 46 milhões em 98 para R$ 60 milhões em 99.
Com o dólar mais caro, a Solvay pretende abocanhar parte da fatia do mercado antes tomada pelos importados. "No ano passado, 15% do PVC consumido no País vinha do Exterior. Com certeza, este ano o volume será bem menor", diz Lapage, apostando no aumento de suas vendas no País. Na sua opinião, além da desvalorização, também freia as importações a alta dos preços das resinas no mercado internacional, incentivada pelo aumento do petróleo e início da recuperação das economias asiáticas. O executivo não acredita no encolhimento do mercado interno de PVC e poliestireno, que, na sua opinião, deve se manter nos mesmos níveis do ano passado.


