Entre as várias soluções apontadas pelos especialistas do Fórum Oncoguia para os problemas que afetam a oncologia no Brasil, quase a totalidade delas esbarra na falta de recursos financeiros para o Sistema Único de Saúde (SUS). A deputada federal Carmen Zanotto (PPS-SC), ressaltou que o problema do SUS é muito maior que o de gestão. "É preciso mais investimento. O problema não é só de gestão, como apontam os governos. Sem dinheiro não há milagre", criticou. Sem citar cifras, representantes do Ministério da Saúde informaram que o investimento em assistência oncológica cresceu 84% desde 2010.
Soluções inovadoras também foram apresentadas. Tiago Farina Matos, do Instituto Oncoguia, propôs eliminar a falta de transparência de informações ao paciente por meio da tecnologia. Ele apresentou o conceito de informatizar todo o processo, da primeira consulta ao pós-tratamento. "Hoje o paciente passa pelo clínico geral e, com a suspeita da doença, não sabe quando terá o resultado do diagnóstico, quando será atendido por um especialista. Muitas vezes fica angustiado à espera de um telefone que nunca toca", exemplificou.
Matos apresentou o conceito de um aplicativo no formato do Waze, que guia motoristas no trânsito. "Ali, o motorista sabe onde está, para onde vai e o que vai encontrar pelo caminho. É isso que o paciente precisa", defendeu. Após debate, ele reconheceu que a solução ainda é distante da realidade do SUS. "É ousado, mas precisamos dar o primeiro passo. Esse primeiro passo pode ser ao menos uma ficha, como recebemos no dentista, que já sabemos quando voltar. O que não pode faltar é transparência no processo", reafirmou.(C.F.)

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