LondrinaA violência no Rio de Janeiro chegou a um ponto de descontrole e com características de guerra civil, que a solução para o problema justificaria a conquista do Prêmio Nobel da Paz. A idéia é defendida pelo administrador de empresas Paulo Roberto de Oliveira, do corpo de docentes da Escola Superior de Guerra, que atuou no gabinete de segurança institucional da Presidência da República durante 14 anos. Oliveira participou do Ciclo de Estudos promovido pela representação regional da Adesg em Londrina. ''Quando eu digo que pode ganhar o Prêmio Nobel é porque nós não temos a receita para resolver esta situação, como acredito que ninguém tenha''.
O professor disse que a violência é tanta que a população se sente totalmente insegura. ''O Rio de Janeiro não oferece a segurança necessária para que as pessoas possam ir e vir sem correr riscos, não só aqueles que estão como turistas, mas, acima de tudo, a população que reside na cidade''.
Oliveira aponta as consequências dos confrontos entre a polícia e o crime organizado. ''Além das mortes de inocentes, os intensos tiroteios congestionam o próprio sistema de saúde para atender as pessoas envolvidas, e faz com que haja um receio da população no sentido de transitar em determinados horários e locais da cidade'', diz.
Para o administrador, o aumento da violência tem origem em alguns problemas sociais como a falta de empregos, de educação, de saúde, de habitação, e até de saneamento básico. O pior, segundo ele, é que as crianças crescem neste ambiente de violência e acham que tudo é normal. ''Para eles, o tráfico, o tiroteio e a morte são coisas naturais porque não conhecem outra realidade'', aponta.
A omissão dos governantes é outra causa apontada pelo professor. Para ele, o crime organizado faz as vezes do Estado junto à população carente em determinados momentos. ''Nós sabemos que não existe vácuo de poder. À medida que alguém deixa de ocupar a posição que deveria estar ocupando, principalmente no que diz respeito ao poder público, ela passa a ser ocupada pela bandidagem''.
A onda de violência no Rio de Janeiro provoca também uma inversão de papéis: hoje é o policial que tem medo do bandido. ''O cidadão que exerce uma atividade policial é um profissional como outro qualquer, que tem família, esposa e filhos, mas está sob risco permanente e pode se confrontar com forças desconhecidas e com poder bélico bem maior''. Os cuidados são tantos que os policiais só andam fardados no trabalho e nunca no trajeto de casa para o quartel e vive-versa.
O que tem mudado um pouco o comportamento do crime organizado no Rio de Janeiro é a presença eventual das Forças Armadas em alguns pontos de conflito. ''Mas basta que elas deixem de exercer a atividade de garantia da lei e da ordem, que os criminosos voltam a tomar suas posições e a situação de violência volta a ocorrer; o respeito pelas Forças Armadas é muito grande, mas só naquele momento''.

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