Solução para enchentes é tirar do papel as obras emergenciais, ensinam especialistas
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2000
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 14 (AE) - Para atenuar o problema das enchentes na Grande São Paulo só há uma solução: tirar do papel, o mais rápido possível, as obras emergenciais previstas pelos governos estadual e municipal. Todos os especialistas ouvidos pela reportagem estão convictos de que as formas para combater as cheias são mais do que conhecidas pelos governantes, mas falta vontade para executá-las. Piscinões, rebaixamento da calha do Tietê e limpeza de bocas-de-lobo deveriam estar sendo feitos a toque de caixa para garantir um verão menos dramático na região metropolitana.
"Não há milagres; emergencialmente, os piscinões são excelentes recursos", afirma o presidente do Instituto de Engenharia, Cláudio DallAcqua. Segundo ele, a engenharia tem poucos meios para evitar as cheias na capital por causa da ocupação irregular na cidade. "Para piorar, as autoridades não entendem que as obras são para hoje, e não para amanhã". Para evitar danos futuros, a população também pode ajudar. Como a cidade sofre com a falta de áreas permeáveis, por causa da urbanização descontrolada, DallAcqua propõe que cada condomínio construa um minipiscinão.
Nas residências, o ideal é manter a área verde, em vez de cimentar todo o jardim. O mesmo poderia ser feito com os estacionamentos, asfaltados desnecessariamente."Parece pouco, mas seriam ações caseiras, que amenizariam os efeitos das chuvas". A Prefeitura afirma que está trabalhando em piscinões. Dos oito reservatórios que constam do Programa de Canalização de Córregos e Avenidas de Fundo Vale (Procav) 2, foram entregues dois. Outros dois estão funcionando hidraulicamente. Falta terminar outros quatro, com previsão de entrega a partir de agosto do próximo ano.
Geólogo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, Fernando Campagnoli aposta no rebaixamento da calha do Tietê. "Os piscinões são eficazes, mas limitam-se a melhorar apenas a região em que estão". O projeto do Estado para o Tietê prevê o aprofundamento de 2,5 metros da calha, em um trecho de 16 quilômetros - do Cebolão até a Ponte da Penha. O governo garante que até março dois terços das intervenções estarão concluídas. Campagnoli adverte, porém, que não basta o rebaixamento. "Isso é só um alívio para a vazão", acredita. "O importante é fazer um trabalho nos córregos, onde há extensas áreas de exposição do solo, nas quais a chuva acaba levando de volta para o rio sedimentos que se acumulam na calha".


