São Paulo, 02 (AE) - O economista da Associação Comercial de São Paulo, Marcelo Solimeo, considera "positiva" a redução de 20% para 10% no compulsório dos depósitos a prazo e acredita que a decisão abre espaço para a queda das taxas cobradas ao consumidor final. Mas, segundo ele, a queda só virá de fato se a instabilidade da economia for superada. "Não traz um impacto forte, mas é a continuidade de um processo", afirmou Solimeo. O reflexo para o consumidor final começará a aparecer, segundo ele, daqui a 10 ou 15 dias, período mínimo para os bancos se reposicionarem.
No mês de julho, quando o Banco Central reduziu de 25% para 20% o compulsório nos depósitos a prazo, a Associação Comercial detectou uma queda nas taxas cobradas ao consumidor final. A redução colocará no mercado R$ 10 bilhões, o que é um alento para aumentar o crédito disponível que traria um aquecimento das vendas.
Há dois meses, as taxas mensais ao consumidor final oscilavam entre 7% a 8,5%. Desde a segunda quinzena de agosto, segundo Solimeo, estão entre 3% (bens de valor mais alto) e 6% (produtos mais baratos). "Essas taxas foram uma antecipação do comércio à uma possível queda dos juros", disse o economista, referindo-se à expectativa do mercado de que os juros voltassem a cair ontem. Mas a queda dos níveis de inadimplência também pesou na decisão de reduzir o juro.
Apesar de o Copom ter mantido a taxa básica, Solimeo acredita que o comércio não subirá suas taxas à medida que a redução do compulsório é uma medida compensatória. Sobre a manutenção dos juros em 19,5%, o economista acredita que foi uma resposta do Banco Central de que "não cederá às pressões políticas", como as das últimas semanas.

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