Solidariedade brasileira ajuda argentinos
Foz do Iguaçu - Uma rede de solidariedade começa a se formar em Foz do Iguaçu para ajudar os sem-teto de Puerto Iguazú, na Argentina, na fronteira com o Brasil. O movimento tem apoio da Igreja Católica, da comunidade islâmica de Foz e de outros grupos religiosos. Sem comida e sem moradia, cerca de 300 argentinos montaram acampamento na praça central da cidade. Metade da população da pequena Puerto Iguazú vive à beira da indigência.
Os brasileiros se solidarizaram com o estado de miséria do município vizinho, que não resistiu aos efeitos da paridade do peso (moeda local) ao dólar. Em uma década, o forte comércio de couros, lãs e produtos enlatados ruiu e mais da metade das 1.600 lojas fechou. A carestia não afastou apenas os turistas brasileiros, mas também a população do lugar, que ficou reduzida à metade nos últimos cinco anos. Hoje, o número de habitantes não passa de 15 mil.
Nem mesmo o fim da paridade monetária conseguiu reverter o quadro de miséria da cidade vizinha. A desvalorização do peso frente ao dólar ainda não trouxe os turistas de volta ao comércio argentino. Há duas semanas, os moradores de Puerto Iguazú protestam contra o governo Eduardo Duhalde e exigem providências do prefeito Timóteo Lhera.
Ele querem trabalho e moradia. O desespero dos argentinos acampados na praça central de Puerto Iguazú comoveu a população de Foz do Iguaçu. Grupos políticos, religiosos e outros segmentos da sociedade iniciaram uma campanha de arrecadação de alimentos para ajudar os vizinhos argentinos. Segundo o bispo da Igreja Católica, Dom Olívio Fazza, não existem fronteiras para a solidariedade.
Em menos de uma semana, a campanha arrecadou mais de 3 toneladas de alimentos não perecíveis. Hoje, o Centro Cultural Beneficente Islâmico de Foz deve entregar 1.800 quilos de alimentos arrecadados pela comunidade árabe. A entrega será feita às 9 horas, na Mesquita, no Jardim Central, para representantes do município de Puerto Iguazú.





