SOLIDARIEDADE - Sonhos que viram realidade
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de junho de 2009
Agência Estado 
Aninha não tem medo de montanha-russa nem da cara feia desses monstros de trem fantasma. Aos 13 anos, ela está mais preocupada com o aquecimento global e com a crise econômica mundial. Como dizem lá em Pernambuco, Estado em que ela nasceu, ''Aninha é massa''.
Ana Flávia Nunes, de 13 anos, passa por um tratamento severo, baseado em quimioterapia e radioterapia, para combater um tumor no sistema nervoso central. Desde que a sua família descobriu a doença, mudou-se de Salgueiro, em Pernambuco, para São Paulo. '' Vim para me tratar'', conta a menina. ''Mas, no caminho que faço entre a casa em que estou morando e o hospital, sempre passo pelo Playcenter (na zona oeste). De tanto olhar, fiquei com essa vontade de conhecer o lugar.''
O desejo de Aninha foi realizado pela Make A Wish (Faça um Desejo), uma ONG que existe desde 1980 nos Estados Unidos e que atua no Brasil há apenas oito meses. A Make A Wish, como seu próprio nome diz, trabalha na realização dos sonhos de crianças com doenças graves. ''Graves, sim. Terminais, não. Porque nossa esperança é de que, com o desejo realizado, essa criança comece uma recuperação'', diz a diretora executiva da ONG, Lêda Tannus.
A Make a Wish brasileira tem em seu currículo dez sonhos realizados. Entre eles, o de Vitor, que queria brincar na praia; o de Matheus, que quis conhecer o goleiro do Palmeiras, Marcos; e o de Bruna, que queria andar em um cavalo branco chamado Anjo.
''As pessoas entram em contato com a gente e contam os sonhos de seus filhos. Depois, realizamos entrevistas com a família, os médicos e com as próprias crianças. Apuramos o que realmente elas querem'', fala Leda. De acordo com ela, não existe sorteio ou lista de espera.
Não demorou para Ducijane Nunes, de 33 anos, mãe de Aninha, conhecer a ONG. ''Quando soube do desejo dela, procurei esse pessoal. Era um presente que eu queria dar para a minha filha.'' O pai, o caminhoneiro Manuel Marcondes, de 39, completa: ''Ela sempre foi guerreira e corajosa. Nunca teve medo de nada.''
Aninha tem total consciência da luta que está travando. ''Quando tudo isso acabar, quero voltar para a minha cidade (Salgueiro), para os meus amigos e familiares. Quero voltar para a escola'', diz. Aninha pretende fazer faculdade de Direito, ser juíza ou promotora. ''Não sei de onde veio essa minha vontade. Vai ver é porque gosto de assistir ao jornal na TV.''
Como espectadora de notícias, Ana sabe tudo sobre a crise econômica mundial e os últimos desdobramentos do aquecimento global. ''Eu acho que o presidente Obama está fazendo um bom trabalho.'' Ao ser perguntada sobre a vida, Aninha responde. ''A vida é uma coisa que tem que ser aproveitada todo o dia.'' A menina, de fato, ainda tem muito o que aproveitar - e diz que vai voltar muitas vezes ao parque de diversões.
Serviço: A ONG pode ser acionada por meio do site www.makeawish.org.br.


