Santiago, 17 (AE) - Uma das estrelas do governo de Ricardo Lagos será a advogada Soledad Alvear, que chefiou sua campanha no segundo turno. Deslocada às pressas do Ministério da Justiça, que ocupava até o primeiro turno, à democrata-cristã é atribuído parte do sucesso do presidente eleito. Já se fala até no nome de Alvear, chamada de "generalíssima" da campanha de Lagos, como candidata presidencial em 2005. Alvear comandou a mudança da campanha do candidato governista depois do resultado apertado no primeiro turno, que foi visto como uma derrota pelo comando.
A advogada entrou para a política no primeiro governo da Concertación, do presidente Patricio Aylwin, para chefiar a Secretaria Nacional da Mulher. Depois, no governo Frei, foi ministra da Justiça e conduziu uma reforma penal até agora bem sucedida para desburocratizar a justiça chilena. A reforma foi bem aceita pela sociedade e Alvear tornou-se a figura mais popular do governo Frei. No discurso que fez aos manifestantes em frente ao hotel Carrera, no centro de Santiago, já como presidente eleito, Lagos estava acompanhado de Soledad, que foi muito aplaudida.
Além da popularidade que obteve com suas ações no governo, Alvear também representou uma "garantia" para os eleitores democratas cristãos e para os mais conservadores eleitores da coalizão Concertación de que o governo de Lagos representaria continuidade em relação a Frei e Aylwin, e não seria um governo socialista, na análise do cientista político da Universidade do Chile, Guillermo Holzmann.
Lagos disse pouco antes das eleições que Alvear seria sua "vice-presidente", cargo que não existe oficialmente, mas que é identificado com o cargo do ministro do Interior, que assume as funções do chefe de estado em suas ausências. No primeiro dia após a vitória, já ficou claro que Alvear terá um papel importante no governo. Além do presidente Frei, foi a única a se reunir com Lagos durante sua primeira manhã como presidente eleito.
"É claro que a entrada de Alvear na campanha não foi o único fator favorável a Lagos", diz Holzmann. Para o analista político, o voto "útil" de eleitores de diversos partidos de esquerda contra a direita, a mudança da imagem de Lagos e também o anúncio da volta do general Pinochet ao Chile foram responsáveis pela vitória do candidato governista.

mockup