Curitiba- Os soldados Luiz Gustavo Landmann e Dioneti do Santos Rodrigues, suspeitos de matar por engano a estudante Rafaeli Ramos, 21 anos, no último domingo, prestaram depoimento ontem na Delegacia de Palmeira. Landman não quis se manifestar sobre o interrogatório. Até o fechamento desta edição, o depoimento de Rodrigues não havia sido terminado. Os policiais teriam confundido Rafaeli e seu amigo Diogo Schuhli, 20, com pessoas que estariam em outro veículo e teriam furado barreiras policiais em União da Vitória e na Lapa.
Antes do interrogatório, a delegada titular de Palmeira, Valéria Padovani de Souza, contou que outros policiais militares podem ter atirado contra dois amigos de Diogo, que dirigiam outros dois veículos na mesma estrada onde Rafaeli foi abordada pelos soldados do 1º Batalhão de Ponta Grossa, após um baile. ''O amigo dele teria ouvido o tiroteio e saído do carro correndo para o meio do mato'', contou a delegada.
A versão foi confirmada pelo pai de Diogo, Vinicius Schuhli. O jovem não pôde ser entrevistado pois fazia novos exames médicos em Curitiba.
Para o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Curitiba, promotor Vani Antonio Bueno, a nova suspeita deve ser investigada. Sobre a ação que vitimou a estudante Rafaeli, Bueno disse que faltou aos policiais presença de espírito para agirem. ''Quero crer que o fato seja consequência de mau treinamento'', afirmou, ressaltando que o Ministério Público (MP) Estadual está acompanhando o caso.
A assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (Sesp) informou que a nova suspeita deverá ser investigada e se, de fato, houve presença de outros policiais, eles serão investigados e punidos.
Uma equipe de policiais civis de Palmeira foi, no final da tade de quarta-feira, até o local onde Rafaeli morreu para uma reconstituição informal. ''Outras pessoas serão chamadas para depor. O caso pode ter uma dimensão maior tanto com as vítimas como com os autores'', afirmou a delegada.

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