ALKHAN-YURT, Rússia, 14 (AE-AP) - Soldados russos pressionaram com sua ofensiva rumo à periferia de Grozny nesta terça-feira (14), entrando em choque com combatentes rebeldes, que disparavam de prédios em ruínas enquanto a artilharia federal atacava a capital chechena.
Em Alkhan-Yurt, apenas três quilômetros a sudoeste de Grozny, era possível ouvir os disparos da artilharia russa atingindo a cidade. Os combates principais estavam concentrados no leste da capital, em áreas ao redor do aeroporto, de acordo com militares russos. Tanques russos alinhados em Alkhan-Yurt fizeram disparos contra Grozny e a artilharia posicionada em volta atacou a capital.
Comandantes russos disseram que unidades de comando e reconhecimento penetraram na periferia da cidade, mas a situação era muito confusa, pois não havia como confirmar as informações.
Milhares de refugiados, em sua maioria idosos, continuavam escondidos em bunkers e porões por toda a cidade, temendo deixar seus esconderijos enquanto as bombas russas caem na cidade. "Os que ficaram estão condenados", disse Shudin Taisumov, um dos muitos refugiados que deixaram Grozny nesta terça-feira. "Não tenho o que comer, nem mesmo picles em latas."
Em outros combates, o Ministério da Defesa informou que aviões e a artilharia russa atacaram posições rebeldes nesta terça-feira em mais de 10 vilarejos. Tropas terrestres tomaram Shali, a única grande cidade além de Grozny em poder dos rebeldes.
Um importante comandante russo na região, tenente-general Gennady Troshev, disse que seus soldados concluíram na noite de hoje os esforços para expulsar os rebeldes de Shali, cerca de 20 quilômetros a sudeste de Grozny, informou a agência de notícias Interfax. Vinte e seis rebeldes foram presos na cidade, segundo a agência.
Autoridades russas alertaram diversas vezes aos civis para que deixassem Grozny pois a cidade sofreria um ataque devastador. Os russos bombardearam Grozny durante semanas, com tropas terrestres cada vez mais próximas da periferia da cidade.
Não ficou imediatamente claro se os combates mais recentes faziam parte de uma ofensiva maior ou visavam apenas expulsar os rebeldes chechenos. Comandantes russos disseram que utilizariam comandos e tropas chechenas irregulares para tomar a cidade parte por parte.
Comandantes russos alegavam ter tomado o aeroporto de Grozny, mas havia relatos conflitantes nesta terça-feira sobre quem o controlava. Comandantes chechenos disseram que seus soldados resistiam ao avanço russo e forçaram o recuo das forças federais.
Apesar de haver estimados 40.000 civis em Grozny, apenas 150 partiram pelo oeste da cidade hoje. Eles deixaram a capital a pé
passando por um longo corredor criado pelos russos. Eles eram colocados em veículos do Ministério de Situações Emergenciais nas proximidades de Alkhan-Yurt.
Apesar das condições desesperadoras em Grozny, onde os moradores escondem-se há semanas em porões, muitos civis aparentemente temem ser atingidos por bombas russas se fugirem ou não sabem que a Rússia estabeleceu corredores que oferecem passagem segura.
Mas o Ministério da Defesa russo informou hoje que os rebeldes de Grozny estão praticando "seleção étnica" para evitar que pessoas de etnia russa deixem a cidade.
A Rússia alertou aos civis para que fugissem até o último fim de semana ou enfrentariam uma ofensiva devastadora, mas recuou do ultimato após fortes protestos internacionais.
Em Moscou, o ministro de Situações Emergenciais, Sergei Shoigu
disse haver dois corredores para civis que ficariam abertos por tempo indeterminado em Grozny. "Ninguém impôs nenhum prazo e ninguém pretende impor", garantiu ele em entrevista coletiva.
Em outro desdobramento, Knut Vollebaek, presidente da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), visitou o vizinho Daguestão nesta terça-feira a fim de averiguar a situação dos refugiados chechenos. A Rússia tem sido duramente criticada pela comunidade internacional por suas ações na Chechênia.
Vollebaek disse a jornalistas que a OSCE considera "necessário tentar-se um acordo político enquanto os combates ameaçam a vida da população pacífica". Ele disse que a OSCE apelaria a russos e chechenos pelo estabelecimento de um cessar-fogo e que a organização mediaria o conflito. Autoridades russas rejeitaram a oferta imediatamente. "Um cessar-fogo hoje ajudaria os terroristas", disse o primeiro vice-primeiro-ministro Alexander Avdeyenko, que acompanhou Vollebaek no Daguestão.
Enquanto isso, o Minstério de Defesa russo informou que o piloto de um jato Su-25 que caiu ontem na Chechênia foi resgatado. No entanto, a assessoria de imprensa do ministério admitiu que dois helicópteros que participaram das buscas foram atingidos ontem e que um número indeterminado de membros da tripulação de um dos helicópteros foi morto.

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