Soldados não voltam ao trabalho e sofrem pressão
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quarta-feira, 25 de junho de 1997
Agência Estado Belo Horizonte 
A capital mineira passou o dia, ontem, com o policiamento reduzido. Centenas de cabos, soldados, sargentos e sub-tenentes simplesmente recusaram-se a sair dos quartéis para o patrulhamento nas ruas da cidade. No Batalhão de Trânsito, na zona oeste, policiais que não quiseram se identificar informaram que oficiais chegaram a ameaçar os praças com revólveres, para que deixassem a unidade, sem sucesso. Segundo atendentes da central telefônica da PM, acessada pelo número 190, a situação era crítica. Por sorte, as ocorrências não são muitas e nada de grave aconteceu, porque se fosse diferente a população estaria em risco, disse um sargento. Também no interior houve paralisações em quartéis: em Montes Claros, no Norte de Minas, 200 policiais cruzaram os braços pela manhã e em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, 85 soldados do setor de trânsito também não trabalharam, pela manhã.
Integrantes de uma comissão de representantes de policiais militares de Minas em greve, procuraram ontem a Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para pedir orientação jurídica. Os PMs queriam instruções de como agir em relação às ameaças de punição expressas no pronunciamento oficial do governador Eduardo Azeredo (PSD), anteontem à noite. Estamos saindo daqui tranquilos, informou o cabo Júlio César Gomes dos Santos. O cabo diz ter um documento do Comando Geral da Polícia Militar autorizando a formação de uma comissão de negociação salarial. Juricamente eles não podem nos punir por uma coisa que eles mesmos autorizaram, acredita ele.
O presidente da Comissão dos Direitos Humanos da OAB, Raimundo Cândido, se comprometeu a procurar o secretário da Casa Civil, Agostinho Patruz, e intermediar o processo e a busca de uma solução para a crise.


