ARNOUN, Líbano, 16 (AE-AP) - Forças israelenses e milicianos aliados que assumiram o controle de uma vila no sul do Líbano abriram fogo hoje (16) contra jornalistas que se aproximavam do local, ferindo um.
Os disparos em Arnoun, nas proximidades do local onde uma bomba guerrilheira matou um soldado israelense na segunda-feira, ocorreram enquanto o primeiro-ministro libanês, Salim Hoss, denunciava a ocupação israelense da vila como "uma operação terrorista por excelência". Hoss apelou às Nações Unidas, aos Estados Unidos e à França para intervirem.
Enquanto isto, aviões de combate israelenses sobrevoaram Beirute hoje, rompendo a barreira do som e provocando dois estrondos que estilhaçaram janelas de apartamentos na capital.
Jornalistas começaram a se reunir na manhã de hoje nas proximidades de Arnoun, seis quilômetros a noroeste da fronteira israelense, horas depois que soldados de Israel isolaram a vila. Tropas atrás de cercas de arame farpado recém-levantadas tentaram dispersá-los com granadas de fumaça e avisando através de alto- falantes aos jornalistas para se manterem à distância.
Quando eles mesmo assim se aproximaram, soldados abriram fogo e 10 jornalistas correram para se proteger entre seus carros estacionados, antes de dirigirem para longe. Kassem Dergham, um operador de som libanês trabalhando para a televisão Abu Dhabi dos Emirados árabes Unidos, foi alvejado nas costas e levado às pressas por colegas a um hospital em Nabatiyeh, cerca de seis quilômetros de distância.
Médicos removeram o que parecia ser uma bala de metal revestida de borracha que estava alojada perto da espinha dorsal de Dergham, disseram funcionários do hospital que pediram para não ser identificados.
Dergham, 56 anos, estava sob observação em condições estáveis, afirmaram colegas. Ele já havia sido ferido duas vezes na década de 80 - alvejado no rosto e na cabeça - durante a guerra civil libanesa.
Na noite de quinta-feira, uma unidade de infantaria israelense de 20 homens, acompanhada por dois tanques e um bulldozer, desceram para Arnoun de uma base numa colina no adjacente Castelo de Beaufort, no limite da zona de ocupação. Eles estabeleceram um posto de checagem e começaram a levantar fortificações na vila.
A força deteve dezenas de motoristas viajando numa estrada próxima, mas liberou-os horas depois, segundo oficiais de segurança libaneses.
O exército israelense anunciou na manhã de hoje que suas tropas e milicianos do Exército do Sul do Líbano haviam tomado "medidas de segurança preventivas" visando anular arsenais de armas e munição da guerrilha na vila.
Oficiais do ESL anunciaram que Arnoun passou a fazer parte da zona de ocupação israelense de 1.100 quilômetros quadrados, e afirmaram que os moradores terão de pedir permissão aos israelenses para viajarem para o resto do Líbano. Um comunicado do ESL afirmou que as pessoas que tentarem romper o cerco estarão correndo risco de vida.
O grupo guerrilheiro Hezbollah, que matou o soldado israelense nas proximidades de Arnoun na segunda-feira e, no dia seguinte, detonou outra bomba na beira da estrada sem causar vítimas, descreveu a ação de Israel como uma "agressão injustificada".
"O inimigo (israelense) não irá colher nada além de perdas de suas ações", afirmou o Hezbollah em uma comunicado em Beirute.
Israel muitas vezes alveja Arnoun em retaliação por ataques de guerrilheiros tentado expulsar cerca de 1.500 soldados israelenses e 2.500 combatentes do ESL da zona de ocupação do Sul do Líbano. Em 17 de fevereiro, tropas israelenses isolaram com cercas Arnoun, alegando que estava tentando reduzir a infiltração guerrilheira. Estudantes universitários libaneses marcharam para o local e derrubaram as cercas de arame farpado uma semana depois.

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