Soldados indonésios atiram contra multidão e matam 18 pessoas
Pulo Rungkom, Indonésia, 03 (AE-AP) - As forças de segurança indonésias mataram a tiros pelo menos 18 pessoas e feriram mais de 58 na separatista província de Aceh, informaram médicos e testemunhas.
"Deus é grande", gritavam os manifestantes no momento em que os soldados abriram fogo contra eles. Imediatamente, ambulâncias foram levadas para o local, misturando os sons de sirene com os gritos dos feridos.
A violência na província de Aceh eclodiu depois que centenas de tropas foram enviadas para a vila de Pulo Rungkom para exigir a libertação de um militar, que está sendo mantido preso pelos residentes.
O ataque ocorreu um mês antes das eleições parlamentares que estão sendo consideradas um importante teste para a transição democrática da Indonésia. Os separatistas de Aceh planejam boicotar o pleito.
Aceh está localizada na ilha de Sumatra, a cerca de 1.750 km a nordeste de Jacarta, e é uma das três províncias da Indonésia onde pequenos grupos de rebeldes lutam pela independência.
As outras duas são a ex-colônia portuguesa de Timor Leste e Irian Jaya, uma ex-colônia dinamarquesa no oeste de Papua Nova Guiné.
Em Pulo Rungkom, centenas de moradores - todos muçulmanos - cercaram as tropas no momento em que elas chegaram ao local. Alguns residentes ameaçaram com facas os soldados, que abriram fogo depois de um período de negociações tensas.
Segundo médicos locais, a maioria dos mortos era homens. Uma criança e uma mulher também foram mortos.
Entre os feridos, cerca de 50 pessoas aguardavam em hospitais por cirurgias para retirar as balas de borracha do corpo.
Horas depois do incidente, tropas patrulhavam a área. Temendo mais violência, muitos comerciantes fecharam suas lojas.
Os soldados estavam procurando um sargento do Exército que foi sequestrado, no sábado, na vila de Cotmurong, por centenas de mulheres depois de uma manifestação pró-independência realizada numa mesquita.





