Soldados dos EUA têm tecnologia até para enxergar no escuro
Washington, 20 (AE-AP) - Sentidos aguçados fazem diferença numa guerra. Por saber disso, o comando das Forças Armadas americanas não economizam em treinamento nem no desenvolvimento de tecnologia para, por exemplo, "dominar a noite" e enxergar tudo, mesmo na mais completa escuridão.
É compreensível o fato de, a 15 mil pés de altura, ainda que à luz do dia, um piloto não distinga um comboio de refugiados civis de uma coluna de soldados. Ou um carro de passeio de um tanque. Mas erros como o que ocorreu na semana passada poderão ser evitados no futuro com o emprego de visores de raios infravermelhos, que permitirão aos soldados "ver" o calor.
Como parte de seu treinamento, pilotos de F-16 saltam de bungee jumping do alto de um edifício com o desafio de tentar observar o que acontece durante a queda. "O trabalho requer uma visão aguçada, mas é difícil ter a compreensão de tudo que se passa em volta numa situação de tanta complexidade quanto a de um ataque", diz um desses pilotos.
O Exército americano começou a desenvolver produtos para dar à suas tropas a vantagem de enxergar melhor do que o inimigo logo depois da Guerra do Golfo. Recentemente, os oficiais dos EUA fizeram uma demonstração desses produtos, principalmente câmeras e sensores eletrônicos de calor, a convidados da Grã-Bretanha, França, Alemanha e Canadá.
A nova geração de óculos de visão noturna e de câmeras desenvolvidas com tecnologia Flir (Forward-Looking Infrared) será de 20% a 50% mais precisa e poderosa do que os dispositivos de primeira geração que são enviados atualmente às tropas dos EUA no mundo inteiro, segundo funcionários do Pentágono.
Alguns dos novos dispositivos já foram aprovados pelo Exército e começarão a ser produzidos no início do ano 2000, enquanto outros ainda estão na fase de testes.
Na demonstração, feita há uma semana, uma câmara Flir mostrou claramente os contornos de um tanque soviético T-2 e de vários tanques e caminhões americanos, embora alguns dos veículos estivessem a distâncias de até 6 quilômetros. As câmeras Flir da primeira geração não tinham uma resolução tão alta.
Os convidados para a demonstração declaram-se "atônitos" com a clareza das imagens, apesar da escuridão quase total, usando um protótipo avaliado em US$ 3 mil.
Esses dispositivos também mostraram capacidade para rastrear, a partir de um ponto muito distante, um helicóptero que transportava o subsecretário do Exército, Bernard Rostker, que participou da demonstração.
Rotsker afirmou que o progresso obtido com a tecnologia de visão noturna representa "um aumento magnífico, que dará ao Exército americano a margem de superioridade para ser dominante no campo de batalha".
O custo total de todos os novos dispositivos com a tecnologia de visão noturna que o Exército dos EUA pretende adquirir não foi anunciado formalmente, mas autoridades militares afirmaram que ele pode chegar a centenas de milhões de dólares, se não bilhões.
Nos 24 anos que passou como integrante do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Wayne Medeiros aprendeu algumas coisas sobre comunicações em batalhas. "Tinha-se a impressão de que os militares que estavam em terra eram sempre os últimos a receber as informações", observou o major da reserva.
Mas Medeiros projetou um dispositivo conhecido como End User Terminal, ou EUT - um sistema de computadores de comunicação e rastreamento que pode ser usado nas batalhas.
Esse dispositivo está entre os diversos sistemas de alta tecnologia demonstrados na semana passada, enquanto tropas encenavam uma incursão contra um modelo de cidade com edifícios construídos de aglomerado de madeira em Camp Pendleton, 65 quilômetros ao norte de San Diego.
O EUT permite que as tropas de combate identifiquem a localização de tropas amigas e inimigas na área. Após a identificação, as informações podem ser transmitidas em tempo real para os comandantes, para ajudá-los no momento de ordenar ataques aéreos ou enviar reforços aos pontos pretendidos.
"O objetivo desse equipamento é eliminar o nevoeiro da guerra", ressaltou Mark Thifault, coronel do Corpo de Fuzileiros Navais.





