Beirute, 08 (AE-AP) - Aviões de Israel lançaram na madrugada de terça-feira (08) seu maior bombardeio contra o Líbano em oito meses, ferindo 15 civis e deixando o país às escuras, o que não impediu o grupo guerrilheiro Hizbollah de desfechar mais um ataque contra as forças de ocupação israelenses no sul libanês, matando um soldado, o sexto em duas semanas, e um miliciano aliado.
"A agressão sionista da última noite não protegerá as tropas de ocupação, que continuarão sendo alvos fixos para as bombas, foguetes e emboscadas de nossos combatentes", advertiu o Hizbollah em uma nota, ameaçando atacar também Israel. "Sabemos que residentes das colônias no norte (de Israel) estão em esconderijos enquanto deveriam estar pagando pela política criminosa de seu primeiro-ministro."
Levando a guerra da zona fronteiriça para o coração do Líbano, a aviação israelense destruiu três estações elétricas - uma em Jamhour (nos arredores de Beirute), outra nas montanhas a leste de Trípoli e a terceira em Baalbek, no Vale de Bekaa. Todas as vítimas civis são de Baalbek. Uma base do Hezbollah no Vale de Bekaa também foi atingida, mas não há informações sobre vítimas.
Os ataques deixaram 4 milhões de pessoas sem luz, e o governo libanês já anunciou que haverá um severo racionamento de energia. "Este é mais um terrível crime israelense contra civis", lamentou um soldado enquanto ajudava a retirar o que sobrou da sala de controle da usina de Jamhour, que abastece Beirute e o Monte Líbano. O equipamento destruído mal tinha sido usado - fora instalado após um ataque israelense em junho contra a mesma instalação. Naquela ocasião, oito bombeiros foram mortos no local.
O novo bombardeio israelense foi uma represália pelas ações do Hizbollah, que, com seu ataque de hoje, já matou sete soldados israelenses este ano. O primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, disse que, com sua ofensiva, não está fechando as portas à paz, mas fará o que for preciso para salvar vidas israelenses. Ele acusou o Hizbollah de ter lançado ataques de vilas civis e violado, assim, o compromisso de evitar atacar (ou desfechar ataques de) posições civis, acertado em 1996.
"Nossa operação visa a mostrar ao governo libanês, ao Hizbollah e, indiretamente, até aos sírios que Israel não aceita violações unilaterais dos acordos", afirmou Barak em visita a Kiryat Shmona, no norte de Israel - onde dezenas de milhares de pessoas se preparavam para passar a segunda noite em abrigos subterrâneos, temendo que a guerrilha libanesa lançasse foguetes Katyusha contra a região.
O governo israelense advertiu que não se considera mais atado ao entendimento de 1996 e responderá com muito mais força se o Hezbollah atacar Israel. Por outro lado, reiterou que desocupará o sul libanês até julho, mesmo sem acordo com a Síria (que controla o Líbano).
A França, os países árabes e o Irã condenaram os ataques israelenses. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, "deplorou" a ofensiva de Israel e, como os Estados Unidos, pediu "moderação" a todas as partes.

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