O soldado do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar Marcelo Oliveira dos Santos, de 27 anos, não compareceu ontem à 15ª Delegacia de Polícia do Rio para depor. Na desastrada ação de resgate dos reféns na segunda-feira, durante o sequestro de um ônibus, no Jardim Botânico, Santos disparou dois tiros. Os disparos não atingiram o assaltante Sandro do Nascimento, que usava a refém Geisa Firmo Gonçalves como escudo e a matou com três tiros.
Santos estaria deprimido com o fracasso da operação, recebeu licença médica anteontem e deverá ficar em observação pelo menos até o dia 29. Ele prestaria depoimento à delegada Martha Rocha e à promotora Luciana Silveira.
‘‘Ouvir o soldado é fundamental e já requisitamos uma comunicação formal do comandante do Bope sobre a natureza, a duração e o motivo dessa licença médica’’, disse a delegada. Até o fim da tarde, o tenente-coronel José Penteado, comandante do Bope, não havia apresentado uma justificativa oficial à delegada para a ausência do soldado. Na terça-feira, o secretário estadual da Segurança Pública, coronel Josias Quintal, anunciou que Santos seria afastado do serviço policial até o fim das investigações.
A delegada Martha Rocha recusou-se ontem a comentar o teor dos depoimentos colhidos. Ela marcou para segunda-feira o depoimento dos médicos Édson Luís Atallah de Mattos, que atendeu o sequestrador do ônibus no dia do crime, e João Pedro Celidônio Silveira, chefe da equipe do Hospital Souza Aguiar, para onde Nascimento foi levado. O criminoso morreu asfixiado no veículo do Bope a caminho do hospital. A delegada vai investigar a suspeita de que os médicos tenham sido ameaçados pelos cinco policiais para encobrir o motivo da morte. Os cinco estão presos.
O local onde morreu a professora, no Rio de Janeiro, continua sendo visitado por pessoas que fazem todo tipo de homenagens à vítima. Muitas flores e cartazes protestando contra a violência estão sendo deixados na calçada.
Ontem à tarde, cerca de cem estudantes secundaristas fizeram uma manifestação em frente ao Palácio Guanabara contra a violência no Rio. Uma comissão foi recebida pelo governador Anthony Garotinho (PDT). Depois de ouvir as reivindicações dos estudantes, ele aproveitou para convocá-los para participar do projeto ‘‘Todos pela paz’’, que pretende lançar em agosto.

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