Sol na medida certa
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sábado, 18 de outubro de 2003
Vera Fiori<br> Agência Estado 
São Paulo A ansiedade é inimiga de um banho de sol saudável. Por isso, por maior que seja o desejo de pegar uma ''corzinha'', vá com calma. É comum exagerar na dose logo no primeiro dia de praia ou piscina. O conselho vem no momento certo, já que o horário de verão começou a zero hora de hoje e grande parte dos brasileiros terão que adiantar o relógio em uma hora.
Segundo o dermatologista Otavio Roberti Macedo, a exposição solar deve ser gradual, iniciando-se com protetor solar mais alto (FPS 30) e, depois, passando para o FPS 25-20-15. O tempo de exposição varia de acordo com o fototipo da pele. ''As pessoas de pele e olhos claros e de cabelos loiros devem receber o mínimo de sol direto, e sempre com protetor solar de fator de proteção alto, FPS 30 ou mais. As pessoas morenas já podem se expor ao sol com protetor solar FPS 15. Não esquecer de usar chapéus, óculos e, sempre que possível, proteger-se à sombra'', recomenda.
Com tantos produtos no mercado, como acertar na escolha? De acordo com o dermatologista, a escolha do protetor solar está ligada ao tipo de pele. Alguns produtos possuem uma melhor fixação na pele e, portanto, uma duração prolongada. Mesmo assim, é mais seguro fazer a reaplicação a cada duas horas.
Vale lembrar que existem três categorias entre os produtos de proteção solar: moderadores, protetores e bloqueadores. Moderadores solares apresentam FPS menores que 15. Protetores solares apresentam FPS maiores que 15 e menores que 20. Bloqueadores solares apresentam FPS maiores que 20.
A Schering-Plough, fabricante das linhas Coppertone, Epidrat e Episol, dá algumas sugestões sobre produtos e tipos de pele. Se sua pele for normal, prefira loção cremosa, creme gel ou spray; se for seca, use loção cremosa ou creme; se for oleosa, gel ou spray (alcóolicos ou aquosos). Não se esqueça de proteger os lábios, nariz e orelhas com um stick (protetor em forma de bastão). Nas áreas com pêlos, é recomendado um spray.
Tão importante quanto usar um produto de qualidade é a forma de aplicá-lo. A maioria das pessoas faz a aplicação de qualquer jeito, sem espalhar e estando já na praia. O ideal, recomendam os médicos, é passar o protetor em casa, já com traje de banho. O produto também deve ser de amplo espectro, ou seja, proteger contra raios UVB (que causam queimadura solar) e UVA (que penetram profundamente na derme e provocam dano dérmico e fotoenvelhecimento).
Macedo observa que, apesar das campanhas e informações disponíveis, só quando as pessoas começam a envelhecer é que se tornam mais prudentes com relação ao sol. Isso porque começam a perceber os primeiros sinais de fotoenvelhecimento e, então, se protegem do sol para reduzir a aparência de pele flácida, manchada, com rugas e, às vezes, com câncer cutâneo.
Os estragos que os raios solares fazem à saúde vão desde o envelhecimento (destruição das fibras de colágeno) ao câncer de pele. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima-se que haverá, este ano no Brasil, 30 mil novos casos de câncer em homens e 43 mil entre as mulheres, e 2.185 casos de melanoma (o câncer mais grave) em ambos os sexos.
O uso regular de protetor solar FPS 15 até a idade de 18 a 20 anos pode reduzir entre 78% e 85% o risco de desenvolvimento de câncer de pele.


