Há dois anos e meio, a técnica em enfermagem Adelaine Simone Cyrillo viu um de seus três filhos entrar para as estatísticas de violência e até hoje tenta entender o porquê. Matheus Henrique Cyrillo Modesto, 21, foi um dos 12 mortos na chacina ocorrida em Londrina em 29 de janeiro de 2016. Ele estava com três amigos em uma casa no jardim Planalto (zona norte) quando, por volta das 22h30, uma pessoa invadiu o local e começou a atirar contra os rapazes. Três deles morreram na hora e um quarto faleceu 11 dias depois, no hospital.

"Meu filho não tinha ligação com nenhum crime. Meu filho não era bandido, assassino, estuprador. Era só um jovem que gostava de sair e estava se divertindo com os amigos. Todos eles morreram sem saber por quê", contou a mãe. "O Matheus levou dez tiros de todo tipo de calibre. Ele não sabe nem de onde vieram os tiros."

Desde a morte do filho, Cyrillo luta contra o sofrimento que parece não ter fim. "É difícil, a gente custa acreditar quando ligam dizendo que aconteceu alguma coisa que não é boa com seu filho. Parece um pesadelo, mas depois a ficha cai que é uma situação que não tem volta."

Investigações apontaram que a chacina teria acontecido para vingar a morte de um policial, registrada dias antes. Dezessete inquéritos foram abertos pela Polícia Civil, mas apenas duas pessoas foram denunciadas até agora. No início deste ano, o Ministério Público do Paraná ofereceu denúncia contra dois policiais militares suspeitos de envolvimento direto no caso. Os agentes públicos teriam atirado contra três homens que sobreviveram ao ataque. No total, foram 14 feridos, além dos 12 mortos.

Depois da morte de Matheus, a mãe diz ter perdido a confiança na polícia. "Eu fiquei mais descrente na segurança pública porque quem tem o dever de proteger é quem mata. A gente fica meio vulnerável", comentou Cyrillo.

Ela e o marido participam do grupo Paz em Londrina, que reúne familiares de vítimas da chacina de janeiro de 2016 e vítimas da Guarda Municipal. "Foram muitos jovens que morreram. Foram assassinados cruelmente, sem direito à defesa. A gente não quer vingança, quer justiça. E pedir justiça é uma forma de proteger os filhos dos outros. Meu filho não morreu. Ele foi assassinado. Não existe cura para essa dor."(S.S.)

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