Josoé de CarvalhoPasso certoJúlio: ‘Divórcio foi a melhor decisão, tranquila e consensual’Hoje, aos 42 anos, a técnica em laboratórios do Hospital Universitário de Londrina, Vera Lucia Pereira Dias Stolf, está de bem com a vida. Mas nem sempre foi assim; durante anos ela teve que passar pela tristeza da separação, a ‘‘barra’’ do divórcio. ‘‘O problema maior é que as mulheres da minha geração haviam sido preparadas para um casamento definitivo, aquela promessa do ‘até que a morte os separe’. Mas, na prática, aprendi que isso era uma fantasia’’, comenta Vera Lucia, divorciada do fazendeiro Odracir Stolf em 1989, nove anos depois do casamento.
Ela conta que sofreu muito com o fim do relacionamento, porque de repente se viu com a responsabilidade de criar sozinha o casal de filhos menores, cuidar da educação deles e ainda ter que encontrar uma profissão e trabalhar fora de casa. ‘‘Sofri pra caramba, existia muito preconceito na sociedade contra uma divorciada. Mas, felizmente, tenho uma família e um grupo de amigos que sempre me deram força. No fim, valeu a pena e eu cresci bastante. Na verdade, acho que nasci de novo, e estou muito feliz com o que consegui em minha vida depois da separação’’, afirma Vera Lucia.
Segundo ela, o divórcio foi consensual - depois de longas negociações com o ex-marido -, tranquilo e rápido na Justiça. ‘‘A melhor saída foi o divórcio, porque na prática a nossa relação amorosa e de amizade já havia terminado mesmo’’, explica Vera Lucia. Foi ela quem contratou e pagou, parceladamente, o advogado e as custas processuais. ‘‘O Odracir estava dificultando o divórcio, mas eu não podia retardá-lo indefinidamente, por causa de questões financeiras que envolviam meus filhos e minha família.’’
J. Pedro‘Barra’Vera Lucia: ‘Sofri pra caramba, existia muito preconceito’
Depois da separação, o ex-marido sumiu. Nunca pagou a pensão alimentícia - dois salários mínimos mensais - e visitou os filhos poucas vezes. ‘‘Ele mudou-se de Londrina e não mantivemos a amizade. Eu começei a trabalhar e fui à luta. Foi uma barra, mas o resultado é ótimo’’, avalia Vera Lucia, que não se casou novamente. ‘‘Consegui manter minha família estruturada, apesar da falta da figura do pai. Meus filhos estão muito bem: o Ricardo, com 18 anos, está empregado e entrou recentemente na universidade, e a Renata, com 17, está prestes a entrar. Estamos todos felizes.’’
O encarregado de vendas de uma indústria de papéis, Júlio Rafael Messias Leama, 33 anos, também já superou o trauma da separação e do divórcio; depois de ter sido casado durante cinco anos com Neiva Appio, residente em Foz do Iguaçu. Ele conta que, depois de acertada a separação amigável, o processo para o divórcio transcorreu rápido e sem problemas na Justiça de Foz.
‘‘Durou menos de três meses, foi tudo consensual e tranquilo. E foi a melhor decisão, porque já estávamos separados na prática’’, diz Júlio Rafael, sem esconder que as dificuldades da decisão. ‘‘Houve sofrimento por causa da nossa filha Marjorie, de sete anos’’, diz.
Segundo Júlio Rafael, os gastos com o divórcio foram de R$ 250,00 para o advogado e R$ 97,00 de custas processuais. A filha ficou sob a guarda da mãe, e o pai paga uma pensão alimentícia mensal de R$ 300,00, bem acima do salário mínimo e meio estipulado pela Justiça.
Ele garante que a possibilidade de voltar a casar-se legalmente não foi o principal motivo do divórcio, embora tenha influenciado na decisão. ‘‘O divórcio foi necessário para legalizar uma separação que existia concretamente há alguns anos’’, comenta Júlio Rafael. ‘‘E o fato de morarmos em cidades diferentes - porque vim para Londrina trabalhar - facilitou na hora do divórcio; a relação de marido e mulher havia acabado e a tensão, aquele clima triste de ruptura, tinha se acalmado.’’
(Osmani Costa)

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