São Paulo, 31 (AE) - Foi com o masculino de Ricardo Almeida, com direito a Thiago Lacerda na passarela e suspiros escandalosos na platéia, a cada entrada dos rapagões com seus torsos nus bem torneados, o encerramento, hoje, da oitava edição do MorumbiFashion Brasil.
Fica a certeza de que a moda brasileira está madura e pronta para o consumo, aqui ou em qualquer lugar do mundo. Falta um pouquinho de civilidade, pois, se há atrasos também no exterior, empurra-empurra, gritaria e grosseria não pegam nada bem num evento internacional, que pretende ser chique.
Falta também, a algumas etiquetas, coragem para usar o MorumbiFashion como vitrine de idéias, na qual cabe o delírio criativo que transforma a roupa em moda. O trivial está no shopping, cabe num showroom.
O penúltimo desfile da noite, de Lino Villaventura, começou com inaceitável atraso de uma hora e meia - a culpa foi da atriz Cláudia Raia, que participou e chegou uma hora atrasada. A platéia estava impaciente e nem o belo cenário criado por Tui Falcão, com árvores de papel-machê, a entreteve. Quando enfim Daniela Raizel abriu magistralmente o desfile, o povo sossegou.
Lino fez o barroco de sempre, o que é louvável. Com Alexandre Herchcovitch e Fause Haten, fecha a trinca de criadores mais autorais da moda brasileira. No caso do paraense, sua viagem pela orgia trouxe uma trilha de orgasmos femininos e imagens meio fantasmagóricas, mas de um luxo incontestável.
Se fosse Tom Ford, da Gucci, a criar a calça inteira de bordados - de barbantes, com pedras e paetês -, como fez o estilista brasileiro, bem-nascidas de todo o mundo pagariam fortunas por ela. Atenção, também, ao masculino de Villaventura. Desta vez, ele conseguiu criar o homem ideal para a "sua" mulher e até calça de náilon, no melhor estilo Slam, apareceu.
Cores - Um inverno colorido e confortável foi o que apresentou a Fit, segunda a desfilar. A moda Fit não muda. É sempre sportswear. Inova na cartela de cores - com laranja como guia -, mantém a modelagem básica e pronto. Intitulada de "o gráfico do clássico ao pop", a coleção Fit trouxe menos estampas. Xales, ponchos e cachecóis misturaram-se à proposta. No masculino, boas idéias, como a calça cuja boca se abre em sino por meio de zíper lateral e a bermuda sobre calça esportiva bicolor.
O estilista Walter Rodrigues abriu com maestria o último dia dos desfiles. Fiel a seu estilo, fez uso de tecidos novos para criar seu inverno 2000. Iniciou a apresentação com looks amarelos desenvolvidos em shibori, construção de matelassê que encorpou a forma. Com ele, Rodrigues fez casacos com trabalho elaborado nas golas, cavas e mangas.
Tecido perfurado à máquina virou vestido nas mãos do estilista
que trouxe saias-calças como proposta de modelagem. O lado mais Walter Rodrigues da coleção foi garantido por vestidos fluidos de georgete, sobre tubos de malha da Scala (sem costura).

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