Sem sentir as pernas e com muitas dores no corpo, Emerson Fittipaldi ficou 10 horas à espera de socorro ao lado do filho, Lucca, que não sofreu nenhum ferimento. Imóvel, deitado sobre a asa do ultraleve, Émerson gritava. Eles só foram encontrados às 22 horas por funcionários de sua fazenda e policiais. ‘‘Ouvimos os gritos de longe e perguntamos se era ele’’, contou Oswaldo Bento, o ‘‘Lebre’’, um dos primeiros a chegar ao local. ‘‘O Emerson deu a resposta positiva e corremos até ele.’’ O pântano já estava escuro. ‘‘Era um breu só.’’
O bicampeão estava caído do outro lado do Rio das Cruzes, atrás de suas fazendas, Fitti 1 e Fitti 2. ‘‘Tivemos de atravessar o rio cobertos por um metro de água e lodo’’, disse Lebre. ‘‘Foi dificílimo chegar até eles.’’
A primeira imagem que os peões e policiais viram foi Émerson chorando e agradecendo muito por ter sido encontrado. Ele teve um corte na testa e perdia muito sangue. ‘‘Imediatamente tirei minha camisa e cobri o molequinho, que estava morrendo de frio’’, contou Lebre. ‘‘Ele estava apavorado com a situação do pai.’’
Ninguém tocou no piloto até os bombeiros chegarem, meia hora depois. ‘‘O resgate foi complicado porque eles estavam no meio do brejo’’, relatou o tenente Cássio Augusto Amaral, comandante da operação. Ao todo, cerca de 100 homens participaram do resgate. ‘‘Os veículos não chegavam nem perto do lugar, atolavam. Por isso demoramos tanto’’, disse.

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