Rio, 27 (AE) - Os sócios da Macrométrica Fábio Lyrio e Estevão Kopschitz deverão seguir a estratégia do ex-presidente do Banco Central (BC) Francisco Lopes e não dar declarações na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o sistema financeiro. A afirmação foi feita hoje pelo advogado deles, Manoel Messias Peixinho.
Peixinho informou que vai, embora seus clientes estejam dispostos a colaborar com a comissão, vai orientá-los a só depôr na Justiça, caso a CPI continue a funcionar como um "tribunal de exceção". Segundo o advogado, os senadores precipitaram-se ao quebrar o sigilo bancário de todos os sócios da Macrométrica antes de ouvi-los. "Só se faz isso como uma medida extrema", criticou.
O advogado informou não se importar com a possbilidade de Lyrio e Kopschitz serem presos, como aconteceu com Lopes ontem (26). "Eles serão conduzidos, pagam uma fiança de 300 reais e vão para a casa", previu. "Se a CPI continuar a se conduzir desta forma, vou orientar meus clientes a manter silêncio, a não ser que o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) convoque o ¶ngelo Calmon de Sá (ex-proprietário do extinto Banco Econômico) para a CPI", atacou Peixinho.
Os advogados de outros envolvidos na investigação sobre o socorro do BC aos bancos Marka e Fonte Cindam informaram ontem que seus clientes não vão deixar de prestar esclarecimento à CPI. "Se meu cliente for convocado, vai prestar esclarecimentos", afirmou João Carlos Castellar, advogado de Luiz Bragança.
Amigo de Lopes, Bragança foi a Brasília com o proprietário do Marka, Salvatore Cacciola, quando o banqueiro tentou ser recebido por Lopes. O objetivo de Cacciola era conseguir ajuda para o Marka, após os prejuízos da instituição na na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) com a desvalorização do real.
Castellar ressalvou que, embora os senadores tenham anunciado que vão convocar Bragança, ele não foi formalmente chamado a depôr ainda na CPI e nem na Polícia Federal. O advogado afirmou também que seu cliente não tem uma estratégia de defesa, caso venha a ser acusado de tráfico de influência, porque, formalmente, não há ainda nenhuma acusação feita contra Bragança.
O advogado do Banco FonteCindam, Técio Lins e Silva, afirma que o presidente do banco, Luiz Antonio Gonçalves, prestará "todos os esclarecimentos necessários à CPI". Lembrando que Gonçalves prestou depoimento à Polícia Federal (PF) no dia 12, um dia antes do prazo estabelecido, e também antecipou sua ida à Brasília para depor na comissão de sindicância do Banco Central, Lins e Silva afirmou já ter comunicado aos senadores que o banqueiro está à disposição da CPI.
"No dia do depoimento do Armínio (Armínio Fraga, presidente do BC) falei com os integrantes da comissão do Senado", afirmou. O presidente do FonteCindam foi o primeiro a depôr na PF sobre o caso da suposta venda de informações privilegiadas por integrantes do BC. Lins e Silva não quis comentar a estratégia de defesa de Lopes, alegando ética profissional, mas adiantou que seu cliente não se negará a depor
como fez o ex-presidente do BC.

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