Londrina - Responsável pelo Mapa da Violência, o professor do Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos, sociólogo Julio Jacobo Waiselfiz, afirma que o que mais o surpreendeu no estudo divulgado ontem foi a alta de 7,9% no índice de homicídios registrados no País entre 2011 e 2012, ano-base da pesquisa. "Surpreendeu essa escalada de homicídios em um ano. Fica uma preocupação se estamos vivendo uma retomada da linha ascendente verificada antes da virada deste século ou se trata de um surto de violência registrado principalmente nos grandes centros", avalia. Indagado sobre qual a taxa aceitável de homicídios num país com um passivo social muito grande, ele brincou: "taxa aceitável de homicídios é zero". E explicou que quando a taxa é de 5 a 10 homicídios por 100 mil habitantes, algo ainda impensável no País, já ocorre uma sensação de intranquilidade.
Para o professor de sociologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pedro Bodê, a escalada da violência, especialmente entre os jovens, "revela, no mínimo, uma inércia em relação à política pública de combate aos crimes de homicídios". "As políticas até existem, mas um elemento que continua invariável e que precisa de mudanças é o sistema de justiça criminal. Temos um modelo arcaico e uma polícia arcaica. Não vejo outra saída a não ser a aprovação da PEC 51, que prevê a reestruturação das polícias, mas sofre resistências nas instâncias superiores das próprias corporações", aponta.
A Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp) contestou os dados compilados pelo Mapa da Violência, que são extraídos do Datasus, do Ministério da Saúde, porque "levam em conta as mortes ocorridas em hospitais". Segundo a pasta, a taxa de homicídios do Paraná foi de 23,3 por 100 mil habitantes em 2013, 28,6 em 2012 e 28,4 em 2011, menores do que a divulgada no Mapa da Violência.(D.P.)

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