Paris - O sociólogo francês Pierre Bourdieu, figura central da sociologia contemporânea e um dos intelectuais europeus mais influentes na atualidade, morreu anteontem à noite, vítima de câncer.
Ele tinha 71 anos e, nos últimos tempos, sua projeção internacional chegara ao ápice, com seguidores em universidades de Ocidente e Oriente. Graças ao seu trabalho, a sociologia ganhou novo fôlego como instrumento científico de observação, análise e crítica da vida contemporânea.
A figura do intelectual crítico e participativo também se revigorou com Bourdieu e suas idéias. ‘‘Não há democracia efetiva sem verdadeiro contra-poder crítico. O intelectual é um desses contra-poderes, e de primeira grandeza’’, declarou certa vez.
Controverso, temido, bajulado e caricaturado, Bourdieu era um dos intelectuais que melhor encarnavam a tradição histórica francesa do pensador politicamente engajado e criticamente participativo. Sua atuação se espalhava por livros, revistas, televisão e jornais. Seus temas abarcavam da política à arte, da religião à mídia, da filosofia à ciência.
‘‘Ele tinha uma vitalidade extraordinária. Até o fim, no leito do hospital, ele corrigia ainda os trabalhos de seus colaboradores’’, contou um de seus colegas mais próximos, o sociólogo Patrick Champagne.
Bordieu escreveu, entre muitos outros livros, ‘‘Convite à Sociologia Reflexiva’’, ‘‘A Miséria do Mundo’’ e ‘‘O Poder Simbólico’’.

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