Sociólogo francês defende o movimento sem-terra
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de setembro de 1997
Agência Folha Brasília 
O sociólogo francês e amigo do presidente Fernando Henrique Cardoso Alain Touraine defendeu ontem a atuação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Segundo ele, sem a ação do MST, não há reforma agrária. Touraine disse que a política vem sendo dominada pela direita e criticou o PFL e o PT. O Brasil precisa de mais conflitos, de mais mobilização popular e de mais capacidade de institucionalização das demandas sociais, afirmou o sociólogo em entrevista coletiva no Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores).
Touraine disse que o Brasil precisa da pressão popular para poder promover as reformas necessárias nos sistemas de saúde e segurança pública. Outra prioridade, na sua opinião, deve ser o ensino básico. O sociólogo está há duas semanas no Brasil. Ele visitou um assentamento de sem-terra em Unaí (MG), deu aulas como convidado de universidades e manteve contatos com políticos. Em Brasília, ficou hospedado na casa de FHC, no Palácio da Alvorada, por uma semana.
Apesar da amizade com FHC, Touraine afirmou que não seria ridículo nem estúpido (ao ponto) de dar conselhos para o presidente da República. É uma tentação dos velhos tontos. Sou velho, mas não sou tonto. Touraine esteve sexta-feira passada em um assentamento, que fica a 50 quilômetros de Unaí, e se disse impressionado com a falta de infra-estrutura do local. Ele afirmou que não consegue entender por que falta água em alguns lugares no Brasil.
Para o sociólogo, a reforma agrária é muito mais uma questão social do que econômica. Ele disse que o governo deve se empenhar para não permitir a desintegração social.
O sociólogo criticou o PFL e o PT e disse que o Brasil hoje é dominado pela direita e que não há oposição no País. Ele comparou a atuação do PFL à forma de agir dos caciques mexicanos e afirmou que há um PT dentro do governo e outro fora, quando o partido está no poder.
A política mexicana vem sendo dominada pelo Partido Revolucionário Institucional (PRI) desde os anos 30. Os caciques do PRI sucedem-se no poder com programas populistas e vitórias em eleições quase sempre suspeitas de serem fraudulentas.


