Sociólogo diz que indiciamento de cineasta é decisão arbitrária
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sexta-feira, 07 de abril de 2000
Por Clarissa Thomé 
Rio, 08 (AE) - O sociólogo Emir Sader qualificou de arbitrária a decisão do delegado Luís Torres, de indiciar o documentarista João Moreira Salles. Para ele, a iniciativa reflete a situação da polícia fluminense, que está "perdida" desde a exoneração do ex-coordenador de Segurança, o sociólogo Luís Eduardo Soares. "Em lugar de procurar o Marcinho VP, eles tomam essa atitude contra o João", afirmou. "Quem dera o problema do Brasil fosse o João favorecer o tráfico de drogas, coisa que não ocorreu".
Sader disse não acreditar que o novo coordenador de Segurança, o coronel da Polícia Militar Jorge da Silva, vá recuperar a imagem da polícia. "A derrota do Luiz Eduardo favoreceu a banda podre e quem entra, chega desprestigiado", afirmou.
Para a antropóloga Alba Zaluar, o indiciamento trata-se de "erro jurídico e político". "Todos os juristas com quem conversei garantiram que João Moreira Salles não poderia ser enquadrado em nenhum crime", afirmou. "Não é dessa forma que o governo vai acabar com o tráfico de drogas, tentando punir quem age com boa intenção".


