Daniel Eduardo Derkacheff Vera, um dos sócios da Botica ao Veado D‘Ouro, foi acusado por funcionários de mandar destruir indícios do envolvimento da farmácia de manipulação na falsificação do Androcur, remédio usado contra câncer de próstata. Durante depoimento ontem, no 1.º Distrito Policial de Santo André (SP), Henrique Carrasco Andrade, gerente de produção do Laboratório Veafarm, coligado à botica, disse ter sido coagido por Vera a alterar o livro de controle da produção dos remédios. Andrade afirmou ter refeito o controle eliminando as entradas referentes aos placebos (remédios sem ação terapêutica) produzidos pelo laboratório.
O novo livro tem apenas a primeira entrada: um pedido de 20 mil unidades, em 96. Vera foi indiciado mas não teve prisão preventiva decretada, o que aconteceu com outro suspeito que ocupou cargo de chefia na empresa, o ex-gerente financeiro Ricardo Camargo Garcia. Ele obteve ontem na Justiça um habeas-corpus e foi solto. Para o delegado que investiga o caso, Guerdson Ferreira, na empresa há funcionários que trabalhavam com ou sem o conhecimento da diretoria. O ministro da Saúde, José Serra, comentou hoje, em São Paulo, que ‘‘o problema da botica é que há bandidos na empresa’’.
Ferreira afirmou que o livro foi mencionado por Vera, que teria acusado o farmacêutico de destruir provas. Já Andrade alegou que a idéia foi de Vera e ele estaria de posse do original.Vera, que teve uma crise de hipertensão, saiu do hospital ontem.
A gerente de vendas das empresas, Iraci Rossi Gomes, que também prestou depoimento ontem, afirmou que Vera sabia da produção de placebos há um ano, o que é negado por ele. Todos os pedidos referentes ao placebo passavam por Garcia. Iraci entregava diretamente ao genro o pagamento das encomendas. Ela afirmou ainda que havia entregue o dinheiro da última remessa, em dezembro de 97, a Vera. Os pedidos eram feitos por Élcio Ferreira da Silva, principal suspeito de distribuir o Androcur falso, ou por Enéas, um novo personagem.

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