As sociedades rurais do Paraná vão publicar uma carta-manifesto contra o não cumprimento dos mandados de reintegração de posse das fazendas invadidas no Estado. A decisão foi tomada ontem durante uma reunião, em Londrina, com representantes de 10 sociedades rurais do estado, das 24 que representam a categoria no Paraná. Segundo o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Edson Neme Ruiz, a categoria está preocupada com a atual política agrária. ''Estamos preocupados e queremos mostrar que, quando há problemas no campo, isso se reflete nas cidades. Falta um respeito maior à nossa classe produtora'', disse.
Na região de Londrina, as cidades que ainda possuem propriedades invadidas são Congonhinhas, Sapopema, Figueira, Ortigueira e Faxinal. No último mês de janeiro o governo realizou três reintegrações de posse: a Fazenda Cachoeira, em Clevelândia, que estava ocupada desde setembro do ano passado; a Fazenda Ninhara, em Laranjal, ocupada desde fevereiro de 1999 e a a Fazenda Serra Grande, em Congonhinhas.
Uma das grandes críticas durante a reunião, segundo Neme, foi o anúncio feito pelo governo estadual de que vai produzir um programa institucional para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) através da TV Educativa. ''Se o governo tem R$ 300 mil por mês para esse programa por que não investe em melhorar a infra-estrutura dos assentamentos e comprar terra?'', questionou.
Para Neme, a idéia de parar a produção no país como uma forma de protesto é boa, mas ''inviável''. ''Já discutimos a possibilidade, mas no Brasil é inviável. Seria uma boa maneira de mostrar o que a classe significa'', disse, ressaltando que ''o Sinapro não tem respaldo no Paraná''.
Em visita ontem a Londrina, no final da tarde, o governador Roberto Requião rechaçou a crítica dos ruralistas. ''O Governo do Estado está fazendo a sua parte, eu acho que já tivemos 30 invasões e já fizemos 44 reintegrações'', afirmou.(Colaborou Adriana Savicki).

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