Londrina – O endocrinologista Guilherme Figueiredo Marquezine reconhece que é um avanço a estabilização do número de obesos no Brasil no último ano, segundo a pesquisa do Ministério da Saúde. Ele ressalta, porém, que essa é uma tendência mundial. Para o especialista, o volume grande de informações sobre o assunto colabora para que as pessoas se preocupem mais e busquem uma melhor qualidade de vida. "Ao mesmo tempo existe informação que não é filtrada e divulgada sem comprovação e isso leva as pessoas a acreditarem, por exemplo, em dezenas de dietas milagrosas. Você resolve um problema e cria três. Ninguém engorda em curto prazo e se emagrecer rapidamente vai causar uma agressividade muito grande ao organismo", frisa Marquezine.
O médico ressalta que hoje a indústria fornece "comida boa, barata e prática", mas nem sempre saudável e nutritiva e o estilo de vida das pessoas favorece o consumo desses alimentos. "A comida mais atrativa, mais prática e saborosa é também a mais calórica. Um lanche equivale a três, quatro refeições. Você faz uma hora de atividade física e queima calorias referente a meia refeição. A conta não fecha", aponta Marquezine. "É preciso educar mais a sociedade para que ela exija alimentos melhores."
Para o endocrinologista, o fato de 50% da população estar acima do peso é preocupante e pode ocasionar uma "falência total do sistema público de saúde". "Grande parcela dessa população é ainda muito jovem. Quando chegarem aos 50 anos a tendência é apresentarem doenças graves como diabetes, hipertensão e infarto. Isso vai gerar uma demanda e custos enormes ao Sistema Único de Saúde (SUS), que hoje já não funciona bem", alerta.(L.F.C.)

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