Curitiba - A Sociedade Paranaense de Reumatologia não indica a apitoxina como tratamento porque, conforme a entidade, a substância não tem um efeito benéfico maior do que os medicamentos modernos para doenças reumatológicas e nem promove a cura.
''É como usar medicamentos que hoje em dia são obsoletos, além de representarem um risco em potencial de processo alérgico, ao invés de indicar drogas com estudos controlados em milhões de pacientes e amplamente recomendadas no mundo. Não vejo razão para usar terapia antiga'', disse o presidente da sociedade, Acir Rachid Filho.
Segundo o reumatologista, existem alguns estudos clínicos publicados em revistas científicas que afirmam a ação antiinflamatória da apitoxina no organismo. ''Semelhante ao que acontece com antiinflamatórios mais modernos, no entanto, as respostas são mais individuais. Por que trocar um remédio via oral, com ação curta no organismo (até seis horas), por outro cuja dosagem maior pode causar um choque anafilático e é eventualmente doloroso'', compara Acir Rachid Filho.
O especialista informa que um estudo clínico para justificar picadas de abelhas no tratamento da esclerose múltipla foi realizado por pesquisadores holandeses da Universidade do Centro Médico de Groningen, em 2005. O trabalho mostrou que a apitoxina não reduziu a atividade da doença, a incapacidade e fadiga provocadas pela esclerose múltipla com surtos, nem mesmo melhorou a qualidade de vida dos pacientes.
''Se, de fato, a apitoxina provocasse resultados fantásticos para saúde seria muito mais difundida, tornando o seu uso até uma rotina. Ela tem apenas uma mera ação antiinflamatória, não tem ação curativa. Não recomendamos seu uso. Para nós é folclore, como a homeopatia'', disse ele, contando que os efeitos colaterais dos medicamentos modernos, sobretudo no estômago, foram bastante reduzidos e que não se justifica usar outra droga por este motivo.(F.G.)

mockup