Curitiba - Em Londrina, o grupo Elitytrans trabalha com a reinserção social de 39 travestis e transexuais, a maioria profissionais do sexo. O objetivo é oferecer conforto e segurança até que tenham condições de tocar suas próprias vidas.
O grupo foi criado no início do ano, como uma célula do Núcleo Londrinense de Redução de Danos, mas funciona de forma independente. ''Na verdade eu abri a minha própria casa para as pessoas que precisam e conseguimos os recursos através de parcerias. O que eles [núcleo] fazem é oferecer o suporte institucional'', explica a presidente da organização, Melissa Campus, de 36 anos.
Segundo ela, a sociedade tem o hábito de criminalizar as vítimas, o que dificulta o combate à violência. ''Quando aparece uma travesti morta ou espancada, as pessoas dizem que elas estavam nas ruas e que foi até bom. Por isso a necessidade de termos um trabalho organizado. Se a gente não tiver uma mentalidade definida, acaba acreditando que só tem que ser usada. Isso não pode continuar. A esquina não é boa para ninguém, a não ser para quem faz isso por prazer, por opção. Aí é diferente de quando você é obrigada'', aponta.
Transex há mais de 15 anos, Melissa conta que já foi ameaçada mais de uma vez. ''Há quatro meses botaram fogo na nossa sede e tivemos que reconstruir tudo. Também já disseram que iriam jogar ácido em cima de mim. Mas não me intimido. O nosso espaço é uma conquista, é luta atrás de luta. Se você para, é suprimido pela ignorância e pela violência.''
Manifestação
O Elitytrans realiza no dia 27 de outubro, das 9 às 13 horas, um protesto na Praça Rocha Pombo, no Centro de Londrina. O local tem sido alvo constante de pichações de cunho homofóbico.
Na ocasião, haverá apresentações de dança e teatro e distribuição de informativos. Segundo a organização, a meta é chamar a atenção da sociedade para a importância do combate ao preconceito. Ela também pede que frases como ''100% homofobia'' sejam apagadas dos muros do local. ''Vamos exigir dos órgãos responsáveis que tirem aquilo. Pagamos nossos impostos como qualquer um. Não somos obrigadas a aguentar isso'', afirma Melissa.
Depois da manifestação, o grupo pretende organizar uma marcha anti-homofobia e uma parada da diversidade.(M.F.R.)

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