Socialistas chilenos rejeitam acordo com direita pinochetista
Santiago, 20 (AE-AP) - O governante Partido Socialista (PS) chileno rejeitou hoje (20) uma proposta feita pela direitista União Democrata Independente (UDI) para uma retirada "digna" da vida pública para o ex-ditador Augusto Pinochet em troca de um acordo entre os dois partidos para aprovação de reformas políticas e constitucionais.
O presidente Ricardo Lagos disse entender a posição da UDI, mas que a Justiça já está operando no caso do ex-governante, e que "quanto mais deixarmos a Justiça trabalhar, melhor."
A posição oficial sobre o tema provocou uma advertência dos comandantes militares, que exortaram hoje os chilenos a adotarem uma atitude de "prudência" para o "momento especial em que vivemos".
As condições propostas pela opositora UDI foram estabelecidas no sábado, durante a reunião de seu Conselho Nacional, na tentativa de chegar a um acordo com o governo que evitasse constrangimentos para o general Pinochet.
Desde que regressou ao Chile, o general está sob a ameaça de perder a imunidade parlamentar de que goza como senador vitalício pré-requisito para que possa ser submetido a julgamento por abusos aos direitos humanos durante seu governo.
Durante o encontro, o partido direitista também discutiu fórmulas para pôr fim aos demais processos contra violações aos direitos humanos impostos a outras autoridades do governo militar.
O ministro da Justiça Miguel Insulza, também socialista, foi convidado pela UDI para a reunião de sábado, e prometeu levar as propostas ali discutidas ao exame do governo. Mas o presidente do PS, Ricardo Nuñez, já declarou que "a maioria dos chilenos quer que encerremos todos os capítulos pendentes (da ditadura) de modo claro e transparente".
Já o comandante-chefe do Exército, general Ricardo Izurieta, manifestou seu descontentamento e preocupação com o "clima de agressividade" de alguns setores políticos. E, no que foi apoiado pelo ministro da Defesa Mario Fernández, pediu hoje que, "em defesa dos interesses da pátria", haja mais "prudência"nas declarações públicas.





